Auditoria identifica discriminação de funcionária no Teatro Municipal de SP e autua empresa contratada
Também foram identificados problemas no registro dos funcionários e da empresa
São Paulo|Caroline Apple, do R7

O Instituto Brasileiro de Gestão Cultural, contratado pela Fundação Theatro Municipal, para administrar a folha de funcionários, foi atuado pelo MTE (Ministério do Trabalho e Emprego) por discriminação e falta de registro profissional dos trabalhadores e de registro próprio no MTE. As autuações são resultados de uma auditoria fiscal feita pelo ministério e divulgada nesta segunda-feira (3) em uma coletiva de imprensa na sede do MTE, em São Paulo.
A cantora Margarete Loureiro, de 49 anos, que dedicou 19 anos de sua vida a cantar nas produções do Theatro Municipal, é uma dos 15 funcionários que foram dispensados sem justificativa, em outubro deste ano. Margarete é a funcionária que levou o instituto a ser autuado por discriminação. A cantora tem sequelas em uma das pernas por causa de uma poliomelite que teve na infância, as quais ela garante que nunca a atrapalharam em suas apresentações.
— Fui demitida por ser deficiente, faltando dois anos para me aposentar. Minha deficiência nunca atrapalhou meu desempenho. Não tenho onde conseguir outro emprego. Fui cantora a vida toda.
O superintendente do MTE-SP, Luiz Antônio Medeiros, afirma que foi abertamente dito que Margarete havia sido dispensada por ser deficiente.
— Disseram que as produções artísticas europeias não aceitam deficientes. Essas pessoas foram mandadas embora de forma selvagem e intransigente. Estão na rua sem direitos trabalhistas, porque seus contratos eram renovados a cada três meses.
Outra funcionária dispensada é a cantora Mara Alvarenga, de 75 anos. Faltando 18 meses para se aposentar, Margarete diz que se sente injustiçada e abandonada.
— É uma briga política lá dentro. Tenho a informação de foi pedida uma lista com o nome dos cantores mais velhos. Eu era o primeiro nome. Mandaram a gente embora e estão colocando pessoas mais novas e sem experiência, mas que fazem parte do ciclo de confiança de quem está administrando o teatro.
O instituto terá dez dias para se defender das acusações. Caso o pedido não seja aceito será aplicada uma multa, que caberá recurso.















