Com passageiro distraído, taxistas chegam a cobrar o dobro por corrida em São Paulo
A reportagem do R7 foi às ruas para testar a honestidade dos motoristas
São Paulo|Fernando Mellis, do R7

A maior cidade do País recebe diariamente milhares de visitantes, a turismo ou negócios. Com a aproximação da Copa do Mundo, aumenta a preocupação com o deslocamento dessas pessoas pela capital. O táxi acaba sendo a alternativa mais fácil para quem não conhece a metrópole, mas aqueles que entram em um deles e simplesmente falam o endereço podem ter prejuízo ao fim da corrida.
O R7 testou a honestidade de alguns desses profissionais e confirmou que até em pequenas distâncias o caminho feito por eles pode não ser o mais curto. A reportagem programou alguns percursos e calculou o valor, baseado nos preços da bandeira e do quilômetro rodado. Em quatro das seis corridas, a conta ficou acima do planejado.
O trajeto entre a rua Olimpíadas, na Vila Olímpia, e a avenida Engenheiro Luís Carlos Berrini, 1180, no Brooklin, tem pouco mais de 2 km e deveria custar em torno de R$ 9,50. O motorista alterou o caminho original, sugerido pelo GPS, e chegou ao destino com o taxímetro marcando R$ 18,20.
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Da Berrini até o aeroporto de Congonhas, uma corrida sai por cerca de R$ 20. No entanto, o taxista que levou a reportagem preferiu “escapar do trânsito” na avenida dos Bandeirantes e deu diversas voltas pelo Campo Belo. Ao fim, o taxímetro cobrava R$ 30,20.
A situação não foi diferente no percurso entre o aeroporto de Congonhas e a rua Doutor Diogo de Faria, na Vila Clementino. Os 4,5 km custaram R$ 22, em vez de R$ 15,70, como havia sugerido o cálculo prévio.
Entre o metrô Clínicas e a rua da Várzea, na Barra Funda, o taxista chegou a sair da rua Cardoso de Almeida, onde o trânsito fluía bem, e ficou parado por mais de 40 minutos em um congestionamento na avenida Pacaembu. Questionado sobre a mudança na rota, ele disse que era a única possibilidade. Os 5,4 km levaram quase uma hora para serem percorridos. A conta ficou em R$ 32, o dobro de qualquer rota anteriormente calculada.
Sindicatos
Atualmente, a capital paulista tem 34 mil táxis, segundo a Secretaria Municipal de Transportes. Para o presidente do Simtetaxis (Sindicatos dos Motoristas e Trabalhadores nas Empresas de Táxis no Estado de SP), Antônio Matias, é preciso haver transparência por parte dos motoristas.
— A gente tem orientado que não adianta tentar enganar o passageiro. Hoje em dia, todos nós temos um celular no bolso, que se torna um GPS. Então, você também sabe o caminho. Nós pedimos para os nossos taxistas para evitar ao máximo desviar e que se for fazer, orientar o passageiro e, se possível, não cobrar o valor a mais, que às vezes é de R$ 5.
Natalício Bezerra Silva, presidente do Sindicato dos Taxistas Autônomos de São Paulo, preocupa-se com a imagem da cidade caso esse tipo de comportamento continue.
— Vai vir gente de fora aí para a Copa. Essas pessoas têm que levar para o país delas que o brasileiro trata todo mundo com carinho, solidariedade. Agora, se ele chega aqui e vê que os motoristas de táxi não são corretos, isso é ruim para nós.















