Crime no Guarujá: “Não acredito em legítima defesa, foi assassinato mesmo”, diz testemunha

Jovem que diz ter testemunhado o crime na churrascaria conta detalhes da  morte do estudante Mário dos Santos Sampaio

Dono de restaurante no Guarujá mata estudante a facadas
Dono de restaurante no Guarujá mata estudante a facadas Eliandro Figueira/Estadão Conteúdo

Uma testemunha que preferiu ser identificada pelas iniciais R.C.F, de 26 anos, afirmou que presenciou todo o crime que aconteceu em uma churrascaria no Guarujá, litoral paulista, na noite do Réveillon e diz não acreditar na tese de legítima defesa, alegada pelo  proprietário do restaurante José Adão Pereira dos Passos, de 55 anos, acusado de matar a facadas o estudante Mário dos Santos Sampaio, de 22 anos. A testemunha localizada pelo R7 estava na mesma churrascaria, bem próximo do local da tragédia.

— Pra mim foi assassinato mesmo. Enquanto Mario e o gerente do local trocavam socos após terem discutido por causa da conta, o dono do restaurante veio por trás do estudante com uma faca enorme na mão e enfiou nele, deixando apenas o cabo para fora. Nesse momento, espirrou sangue para todo lado. Foi uma cena horrível.

R.C.F estava com mais oito amigos no restaurante e conta que o estabelecimento estava lotado por ser um dos únicos locais abertos no dia 31 e também pelo fato de o preço ser atrativo.

— Na porta havia um anúncio de que o self-service custava R$ 12,99 e foi um dos motivos pelo qual entramos para comer. O filho do dono estava na porta e barrou de forma bem grosseira dois amigos meus porque estavam sem camiseta.

Para a polícia, o proprietário alegou que o estudante morto foi reclamar da diferença de R$ 7 quando começou uma briga.

— Ele foi pagar a conta já chamando a gente de ladrão. Depois se alterou e foi pra cima de mim e meu filho foi me defender. Peguei uma faca para encostar nele e quis apenas ameaçá-lo, mas quando vi aconteceu tudo aquilo. Nós estávamos trabalhando demais e ainda tivemos que ouvir que éramos ladrões.

Pai e filho se entregam para a polícia

Na versão de R.C.F a história foi um pouco diferente.

— Realmente houve um tumulto por causa da conta e o dono do restaurante deu um tapa na cara do Mario. Ele revidou com um soco e nisso o filho do dono, que é o gerente do restaurante, entrou na briga. O pai saiu de cena e voltou com uma faca de churrasqueiro na mão. Primeiro ele passou a faca nas costas do Mario e depois enfiou no corpo dele.

A testemunha lembra que Mario tentou correr, mas escorregou no próprio sangue e caiu.

— A namorada e os amigos ficaram desesperados e tentaram estancar o sangue, mas logo ele pareceu estar morto. Ficamos muito assustados ao presenciar aquela cena.

Segundo o relato do jovem, a polícia chegou ao local em cerca de 10 minutos, mas liberou todos os clientes do restaurante.

— Foi a primeira e última vez que pisei naquele restaurante.

O crime aconteceu na noite de segunda-feira (31), poucas horas antes da virada do ano, mas pai e filho suspeitos de matar o cliente fugiram. Na noite de quarta-feira (2), eles se entregaram à polícia e vão responder ao processo em liberdade.

Corpo de jovem morto é enterrado em Campinas