Focado em identificar líderes, Deic convoca 80 suspeitos de integrar black blocs
Para delegado, afirmação de integrantes de que grupo não possui liderança é "grande mentira"
São Paulo|Thiago de Araújo, do R7

O Deic (Departamento Estadual de Investigações Criminais) convocou nesta quinta-feira (12) 80 pessoas suspeitas de integrar os chamados black blocs. A informação foi confirmada ao R7 pela assessoria de imprensa do órgão. Os depoimentos começaram a ser colhidos às 9h30 e devem avançar durante todo o dia. O foco dos policiais civis é identificar os líderes da tática de manifestação que ataca bens públicos e privados durante manifestações.
O grupo chamado para depor contém pessoas que foram presas durante as mais recentes manifestações na capital paulista por possíveis participações em atos de vandalismo contra agências bancárias, estabelecimentos comerciais e propriedades públicas. Eles devem ser ouvidos e em seguida liberados. Segundo o delegado Wagner Giudice, diretor do Deic, o foco é chegar aos líderes.
Em entrevista ao R7, Giudice disse considerar “mentirosa” a alegação de integrantes da tática que nega que exista uma liderança dentro dos black blocs. Ele disse não acreditar em um movimento horizontal, ou seja, coletivo, quando o assunto são as ações dirigidas pelo grupo durante os protestos. Ele disse que o número de investigados varia entre 280 e 300 pessoas até o momento.
— Na verdade não adianta você pegar aquele sujeito “pequeno”, você tem que chegar nas lideranças, que eles dizem que não existem, o que é uma grande mentira. Tem gente que manda sim no quebra-quebra, isso é fato. Se você tem que empurrar a faca e sabe para que lado ela vai, já tem chefe.
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O Deic conduz, ao lado do MP (Ministério Público), uma força tarefa criada em outubro para identificar, monitorar e penalizar os black blocs. As acusações feitas contra as pessoas já identificadas variam entre dano ao patrimônio, seja público ou privado, furtos, incêndios, lesão corporal, tentativa de homicídio, e outros crimes subjacentes, de acordo com Giudice. Entretanto, o indiciamento deverá considerar todos parte de uma quadrilha, de acordo com o delegado.
— O que coube ao Deic foi a gente fazer a coleta dessa informação, a história do movimento, porque aconteceu aquilo naquele momento, quem são as pessoas envolvidas. Aí você vai ver que você tem reiteradamente as mesmas pessoas, as mesmas criaturas, quebrando coisas no mesmo lugar. Então, estamos montando um inquérito na verdade, construindo uma história, para chegar na associação criminosa para o dano ao patrimônio público e privado, é isso que vamos provar aqui.
Durante os depoimentos, os policiais questionam, entre outras coisas ao longo de 30 perguntas, sobre a possível filiação partidária dos investigados e se eles são financiados por políticos, sindicatos ou ONGs (organizações não governamentais). De acordo com o Deic, não há prazo para conclusão do inquérito, mas tão logo isso ocorra, o documento será encaminhado ao MP, que fará a análise do teor das investigações e, então, decidirá se cabe denúncia à Justiça contra os investigados.
Esta é a segunda convocação policial para investigados de compor os black blocs. No dia 15 de novembro, 68 de 70 pessoas chamadas para depor foram ouvidas e fichadas pelo Deic pelo seu possível envolvimento com o grupo. Na ocasião, coletivos pediram por intermédio das redes sociais que ninguém comparecesse sem advogados para depor.
Questionando pelo R7 se o trabalho de fichamento de black blocs é considerado importante, já prevendo eventuais grandes manifestações em 2014 em São Paulo, Giudice explicou que a polícia não ter por objetivo censurar as manifestações, mas sim reprimir o que ele chamou de “quebra-quebra” generalizado.
— A manifestação ela é livre, desde que ela seja ordeira. Esse não é o problema da polícia. O problema é o dano ao patrimônio, que é feito pelos autodenominados black blocs. Isso é uma tática para afrontar o Estado. Então o que o Deic está trabalhando é sobre os black blocs. A movimentação pacífica e ordeira não há o que se fazer, isso é autorizado constitucionalmente e é um direito do cidadão. O que a polícia não vai deixar acontecer são as manifestações com vandalismo e quebra-quebra. Essa é a nossa função. Estamos identificando essas pessoas, já temos 280 identificados que estão vindo ao Deic, serão todos catalogados, vamos chegar nas lideranças e eles vão responder pela associação criminosa deles.














