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Garoto conhecido como "menino-passarinho" é atacado com creolina em Higienópolis

Adolescente já fugiu três vezes de casa para morar na rua e tem sido vítima de intolerância

Márcia Francês, do R7

Um adolescente de 15 anos, que ficou conhecido como "menino-passarinho", foi atacado enquanto dormia, na rua Veiga Filho, em Higienópolis, bairro nobre de São Paulo, na manhã de quarta-feira (5). De acordo com moradores, a barraca na qual ele tem se abrigado foi molhada com creolina. Esta é a terceira vez que o garoto fugiu de casa, no Rio de Janeiro, e voltou a morar na mesma rua. 

Após ataque com creolina, "menino-passarinho" conseguiu nova barraca e continua na rua Veiga Filho
Após ataque com creolina, "menino-passarinho" conseguiu nova barraca e continua na rua Veiga Filho Arquivo pessoa/Luciana Sodré Cardoso

O jornalista Eduardo Lemos, morador da região, postou um texto no Facebook contando que, por volta das 8h de quarta-feira, a companheira dele, a estudante Belisa Bagiani, de 23 anos, desceu para a rua com a mãe e duas amigas. Elas viram o garoto fora da barraca. "Ele estava assustado e nervoso. Enquanto elas caminhavam em sua direção, foram sentindo um cheiro forte. Um cheiro de produto químico pesado. [...] Era creolina", diz o texto.

A mensagem ainda fala da reação do menino quando as mulheres chegaram. "Tia, jogaram alguma coisa na minha barraca. Tá fedendo muito".

A terapeuta Luciana Sodré Cardoso, de 44 anos, também moradora do bairro, afirmou que esta não foi a primeira vez que o adolescente foi agredido. 

— Ele foi atacado por um morador do meu prédio. Ele estava dormindo em uma caminha que ele fez de madeira, porque não tinha barraca. [O vizinho] gritou com ele, chutou a cama e ele caiu. [Além disso, ele foi atacado], verbalmente, outras vezes, por outros moradores. 

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A primeira vez que o garoto chegou à rua Veiga Filho, no início de agosto, ele passou a viver em uma árvore, o que lhe rendeu o apelido de "menino-passarinho". Logo de cara já sofreu resistência de moradores do bairro, que conseguiram até localizar sua família. Natural de Cachoeiras do Macacu, cidade vizinha à Nova Friburgo, no Rio de Janeiro, o menino já foi levado para o Rio de Janeiro pelo Conselho Tutelar duas vezes, mas fugiu de novo.

Luciana é uma das moradoras que se aproximaram do menino. Ela conta que o adolescente tem uma limitação que faz com que pareça ter 10 anos de idade, "mas é extremamente inteligente, se vira, faz um monte de coisa, todo mundo é conquistado por ele". Ainda de acordo com a terapeuta, em sua casa no Rio de Janeiro, "ele é medicado e dorme, ou então assiste TV o dia inteiro". Por causa disso, o menino foge, então, ela e outros vizinhos buscam um tipo alternativo de tratamento. 

— Dar medicamento, colocar em uma escola que tenha regras não adianta, ele foge. A gente está atrás de achar uma comunidade, uma instituição que seja compatível com o histórico dele. 

O menino deixou de viver na árvore e, atualmente, mora em uma barraca na calçada. Luciana reclama da intolerância de outros moradores.

— É um menino negro, pobre, em frente de um prédio do shopping Higienópolis. As pessoas se sentem ofendidas. Os moradores, meus vizinhos, reclamam todos os dias comigo: "Como assim você fica estimulando esse tipo de coisa, esse tipo de vagabundagem". Só que a gente faz de tudo para achar lugares para ele e eles só ficam reclamando. É bem difícil lidar com isso. 

A terapeuta conta, ainda, que vizinhos até já acionaram a prefeitura para tirá-lo da rua, alegando "poluição visual". Nesta quinta-feira (6), a terapeuta vai à delegacia registrar um boletim de ocorrência para que a polícia investigue a agressão ao garoto. Após uma campanha no Facebook, um amigo de Lemos e Belisa emprestou outra barraca para o adolescente. Segundo o jornalista, o garoto está bem e continua na Veiga Filho. 

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