Grupo Legítima Defesa discute exclusão, colonização e racismo com a peça 'Missão em Fragmentos'
As duas últimas apresentações da temporada são neste final de semana em São Paulo
São Paulo|Juca Guimarães, do R7

A história de três homens, entre eles um traidor, que viajam para a Jamaica em 1799 para promover uma revolta de escravos é o pano de fundo do emblemático enredo da peça Missão em Fragmentos - 12 cenas de descolonização em legítima defesa.
O espetáculo está em cartaz neste final de semana no teatro Galpão dos Folias, na Santa Cecília, na região central, com as duas últimas apresentações da temporada. Em cena se apresentam 15 atores e atrizes negros.
A peça é dirigida pelo também ator e DJ Eugênio Lima. O texto mistura diversas narrativas e autores, porém, é inspirado em A Missão: Lembrança de uma Revolução, de Heiner Müller.
Os persoangens Debuisson (filho de senhor de escravos), Galloudec (um intérprete quase-branco) e Sasportas (um revolucionário negro) vão para a Jamaica representando a governo francês com o intuito de criar uma revolta de escravos na então colônia inglesa, numa evidente jogada política. Assim que os três estabeleceram as primeiras conexões na ilha caribenha, chega a notícia de que Napoleão havia tomado o poder na França. Debuisson interrompe os preparativos, acreditando estar agora sem o apoio do novo regime e trai seus companheiros de viagem entregando-os à coroa Britânica.
Centrado neste ato de traição, a montagem abre a discursão sobre o protagonismo negro e a autodeterminação, que pretende, a partir de de Müller e outros autores, rever processos sociais históricos de exclusão e de racismo; além de e seus reflexos na construção da “persona negra” no âmbito das linguagens artísticas.
O grupo Legítima Defesa está no Galpão dos Folias, na rua Ana Cintra, 213, Santa Cecilia. Sábado, o espetáculo começa às 21h; no domingo o horário é 19h. A recomendação etária é de 16 anos. O ingresso custa R$ 20, a meia-entrada é R$ 10 e moradores da Santa Cecília também pagam meia. A peça tem duração de 100 minutos. No sábado, acontece também uma sessão especial para o coletivo Mulheres Negras Empoderadas, coletivo de mulheres bem-sucedidas criado este ano para combater a discriminação racial.
O grupo de teatro Legítima Defesa surgiu em 2016 e é formado por: Eugênio Lima, Fernando Lufer, Gilberto Costa, Jhonas Araújo, Luan Charles, Luiz Felipe Lucas, Luz Ribeiro, Nádia Bittencourt, Palomaris Mathias, Renato Caetano, Tatiana Rodrigues Ribeiro, Thereza Morena e Walter Balthazar.














