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Horas após ação na Cracolândia, usuários se concentram em novo local e alguns já retornam a antigo "fluxo" 

Segundo autoridades, operação de retirada considerada pacífica foi feita para limpeza de praça

São Paulo|Gustavo Basso, do R7

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Dependentes de drogas se reuniram durante a tarde a uma quadra de fluxo dispersado na Praça Princesa Isabel
Dependentes de drogas se reuniram durante a tarde a uma quadra de fluxo dispersado na Praça Princesa Isabel

Horas após a ação da Polícia Militar, que na manhã deste domingo (11) retirou as centenas de usuários de drogas, traficantes e moradores de rua que se concentravam na praça Princesa Isabel, o chamado "fluxo" voltava ao local.

Uma ação conjunta entre PM e prefeitura havia retirado o acampamento e aglomeração do localpor volta das 8 horas da manhã. Cerca de 400 dos ocupantes da praça se abrigaram até o início da tarde na rua Helvétia, a uma quadra da praça e da esquina da Helvétia com a alameda Dino Bueno, onde se concentrava o fluxo de compra e venda de drogas antes da megaoperação policial do último dia 21 de maio.


Pouco após o retorno do grupo à praça Princesa Isabel, por volta das 14h da tarde, a compra e venda de crack já havia voltado ao "normal". A equipe de reportagem do R7 foi abordada mais de uma vez no meio do fluxo por vendedores de crack oferecendo drogas. Na manhã deste domingo, foram presos dois traficantes e um dependente químico, por agressão.

Moradores de rua formam fila para serem revistados por policiais antes de retornarem à Praça Princesa Isabel
Moradores de rua formam fila para serem revistados por policiais antes de retornarem à Praça Princesa Isabel

Os usuários foram autorizados pela polícia militar a voltarem para a praça depois de um acordo feito com lideranças locais. Pelo combinado, poderiam ser levados colchões, cobertores e outros pertences pessoais, mas não itens que permitissem a montagem de barracas, como lona e estruturas.


Cada morador de rua que deixava a rua Helvétia era revistados por uma barreira de cerca de 50 policiais na esquina da Rua Helvétia com a Avenida Rio Branco. Junto ao cordão se aglomeravam itens que segundo os policiais responsáveis, poderiam ser utilizados para remontar o acampamento, que na madrugada deste domingo se assemelhava a um campo de refugiados.

Anderson Lima, de 37 anos e morador da Cracolândia há "alguns anos" compara as duas ações:


— Naquele dia 21 eles chegaram com violência, botaram fogo no meu barraco, que era o segundo na entrada da rua, e perdi tudo. Mas hoje a PM está de parabéns. Chegaram conversando para o pessoal sair da praça, não botaram a mão em ninguém, nem usaram bomba. Precisamos reconhecer.

A operação envolveu 550 policiais militares, além de assistentes sociais e agentes de saúde, de acordo com o tenente-coronel Miguel Daffara, que comandou as ações.


— Essas barracas não servem para acolhimento, mas como esconderijo para o tráfico. O traficante tem que saber que operações desse tipo vão ser recorrentes. E a tônica principal hoje foi a preservação da ordem pública com vistas a localização de drogas, armas e foragidos da Justiça. Houve ainda limpeza e recolhimento de lixo. 

Segundo o subinspetor da GCM (Guarda Civil Metropolitana) Marques, foram recolhidos 30 caminhões de lixo da praça. Na madrugada deste domingo, por volta das 5h da manhã, a reportagem havia constatado o acumulo de lixo separado em montes ao longo da calçada da praça na avenida Rio Branco.

Janaina Xavier, lider comunitária na região dos Campos Elíseos, afirma que a partir desta semana, a prefeitura fará a limpeza da praça três vezes ao dia, às 7h, 15h e 18h. Contatada, a prefeitura afirma que serão feitas duas limpezas diárias a partir desta semana, sem especificar os horários dessas ações.

Nesta manhã, o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, chegou a garantir que os usuários não voltariam a região do "antigo fluxo"

A operação

Policiais militares da Força Tática e do Choque começaram a cercar a praça Princesa Isabel por volta de 6h. Assim que perceberam a movimentação policial, muitos usuários de drogas e traficantes fugiram em direção à estação da Luz e ao elevado João Goulart, o Minhocão. Viaturas da PM fizeram bloqueios nas avenidas Rio Branco e Duque de Caxias.

O primeiro sobrevoo do helicóptero da PM, às 6h25, ajudou a despertar os usuários de drogas que ainda permaneciam no local. Fogueiras que estavam acesas desde a madrugada para ajudar a espantar o frio acabaram, com a confusão, atingindo barracos e o fogo se espalhou, sendo necessária a ação do corpo de bombeiros quando a tropa de choque invadiu o local. 

"Ação pacífica"

Em nota à imprensa enviada durante à tarde, a prefeitura disse que a operação aconteceu sem incidentes e agentes municipais já realizam a limpeza da região. 

"O objetivo da ação era a retirada das tendas e barracas que estavam sendo utilizadas pelo tráfico. A ação da Polícia Militar, com apoio da GCM, foi pacífica e sem maiores incidentes. Algumas barracas foram incendiadas por usuários e o fogo controlado pelo Corpo de Bombeiros."

"A Secretaria Municipal de Assistência e Desenvolvimento Social enviou 54 orientadores e quatro peruas de transporte para abordar e encaminhar os usuários."

"O SAMU esteve de prontidão para atender eventuais emergências. Equipes da Secretaria de Saúde estão realizando atendimento no CAPS AD instalado na Alameda Helvetia. Na Praça Princesa Isabel começa a funcionar hoje uma unidade de acolhimento da Secretaria de Saúde."

"Agora a Prefeitura Regional da Sé realiza varrição e limpeza na praça com 24 caminhões e 162 pessoas. A Prefeitura de São Paulo reitera que manterá contínuos esforços para dar acolhimento e tratamento aos dependentes químicos e pessoas em situação de rua. Também reitera que continuará apoiando as polícias, civil e militar, por meio da secretaria de segurança urbana, no combate, ao tráfico de drogas."

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