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Laudo inocenta estuprador e assassino confesso

Dados apontam que peritos e médicos legistas devem quase 2 milhões de laudos ao Estado

São Paulo|Lumi Zúnica, especial para R7

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Na tarde de 24 de fevereiro de 2013, William Ferreira, morador da comunidade de Paraisópolis, foi até a casa da vizinha Jessiana Lourenço da Silva, 21 anos, casada. O marido de Jessiana tentava falar com ela por telefone, mas não conseguia. Preocupado, pediu para William, proprietário do imóvel, verificar o que estava acontecendo.

Ao chegar, William viu a corrente do portão caída e sentiu um forte odor de gás. Com ajuda de um vizinho, desligou o fogão e se deparou com o corpo de Jessiana estendido na cama, de bruços, com a calcinha na altura dos calcanhares. Os bombeiros foram chamados e se verificou que ela estava morta.


Clayton Godoi de Araújo, cunhado de Jessiana, ligou para a polícia, se entregou e confessou espontaneamente ter estuprado e depois enforcado a vítima com um cinto. Mesmo com a confissão e aparentes evidências, o laudo necroscópico emitido pelo IML concluiu que "a morte ocorreu por fatores que não puderam ser apurados neste exame sendo sua causa por tanto indeterminada". O mesmo laudo informa que o exame sexológico "foi negativo". Clayton confessou ter estuprado a vítima pelo menos duas vezes.

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Dados da SSP (Secretaria de Segurança Pública) apontam que peritos e médicos legistas devem quase 2 milhões de laudos ao Estado entre 2005 e 2014. A Superintendência da Polícia Técnico Científica afirma que o número é de aproximadamente 650 mil laudos não emitidos.

José António Moraes, perito por 50 anos e ex-diretor do Núcleo de Crimes Contra a Pessoa do IC (Instituto de Criminalística), enxerga esses números como resultado do abandono do governo no que diz respeito à contratação de peritos e alerta que, em 2015, grande quantidade deles será aposentada por idade, o que pode comprometer ainda mais a situação.


— O perito, quando se aposenta, leva consigo todos os conhecimentos acumulados nos anos de serviço. Isso significa que não só a quantidade, mas a qualidade dos laudos pode ser prejudicada.

Outro caso


Carlos Elias Paladini compareceu ao DHPP (Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa) para questionar o conteúdo do laudo necroscópico da morte do seu filho Carlos, cujo corpo foi encontrado em um terreno na zona oeste de São Paulo. Ele constatou que existem muitas divergências entre o conteúdo do laudo e as características do seu filho.

Segundo Paladini, Carlos tinha a pele de cor branca, o cabelo era castanho claro e, na época, da morte estava cortado bem curto. No Boletim de Ocorrência, o cabelo consta como “calvície total ... cabelo raspado”. No laudo, a pele é descrita como parda e o cabelo negro.

A causa da morte foi determinada por cardiopatia crônica, mas o pai afirma que a vítima não sofria de nenhuma doença cardíaca. No laudo, é registrada a 35º Delegacia de Polícia como titular do boletim de ocorrência, sendo que ele foi elaborado pela 89º DP.

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