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Massacre do Carandiru: “A Rota não entrou para conter, entrou para matar”, diz promotor

Fernando Pereira apresenta dados para comprovar falta de preparo e real intenção da PM

São Paulo|Thiago de Araújo, do R7

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O promotor Fernando Pereira iniciou a fase de debates do segundo julgamento do massacre do Carandiru, na manhã desta sexta-feira (2), no Fórum Criminal da Barra Funda.

Ele disse que os 25 policiais militares, que são acusados pela morte de detentos em outubro de 1992, tinham uma intenção clara durante a invasão do pavilhão nove da Casa de Detenção.


— Não a intenção de conter (a rebelião), era de matar.

Ele fez a afirmação contra os 25 réus (eram 26 inicialmente, mas a morte recente de um deles só foi informada nesta semana), todos do 1º Batalhão do Choque, conhecido como Rota (Rondas Ostensivas Tobias de Aguiar), com base em diversos laudos e estudos do Instituto de Criminalística e até mesmo um realizado pelo departamento de Medicina da USP (Universidade de São Paulo).


Durante a sua explanação, o promotor pediu a redução de 73 para 52 no número de mortes imputadas aos réus. Segundo Pereira, “não há como comprovar quem agiu no corredor do lado direito do terceiro pavimento”, assim um total de 21 mortes não poderiam ser atribuídas aos policiais da Rota que agiram no Carandiru.

Do total de vítimas, com base nos números da acusação, 90,4% das vítimas fatais (47 detentos) receberam tiros na cabeça e no pescoço. O grau de letalidade da ação dos policiais ainda foi demonstrada por Fernando Pereira com o números de presos que receberam três ou mais disparos (86,5%), quase sua totalidade vindos de direções distintas.

— Como você acerta nove disparos em alguém sem ver nada? Eles dizem que estava escuro, tinha muita fumaça e só viam vultos. Os presos negam essa versão. Podia até estar escuro, mas será que foi como eles disseram? Se estivessem se defendendo apenas, os tiros teriam uma mesma direção, e não é o que vemos aqui.

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