Moradores acreditam que número de mortos por chuvas divulgado pelo governo esteja subnotificado
Órgãos dizem que, até agora, há 36 mortos. Testemunhas suspeitam que quantidade seja maior e afirmam que há soterrados
São Paulo|Isabelle Amaral, do R7

Os moradores e os turistas que estão na cidade de São Sebastião, umas das regiões mais afetadas pelas fortes chuvas que atingiram o litoral norte de São Paulo, acreditam que o número de mortos divulgados pelo governo do estado e pela prefeitura estão subnotificados. "Com certeza tem mais, fora as pessoas que estão soterradas, que sabe lá Deus como estão", revelou ao R7 Valdeci Ventura, que mora na região há mais de 28 anos. Ele afirma: "Nunca vi um desastre tão horrível quanto esse, assim, ao vivo".
No último boletim do governo do estado, havia a confirmação de 36 mortos, sendo 35 em São Sebastião e um em Ubatuba. O número de desalojados passa de 1.730.

A turista Tatiane Silva, que havia saído da capital para o litoral para trabalhar e visitar a família, conta que a prima dela, Pamela, de 19 anos, está entre os mortos. A jovem e o namorado estavam em casa quando a estrutura do imóvel cedeu e desabou sobre eles. O namorado dela também não resistiu.
"O prefeito daqui tinha informado ontem à noite que ainda não havia confirmação de mortos, mas eu sabia que minha prima já tinha morrido, fora os outros 18 corpos que foram encontrados e levados a uma escola daqui", afirma.
Segundo ela, a região da praia do Juquehy realmente alagou, mas as pessoas que moram na parte do morro foram mais afetadas.
Juliano Gomes, de 37 anos, que também mora em São Sebastião, conta que o cenário lá é "caótico". "Agora a chuva parou, mas aconteceu tanta desgraça aqui que, qualquer pingo que der, vai todo mundo ficar com medo", relata o comerciante.
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O homem tem uma bombonière na região e conta que, por causa das chuvas, seu estabelecimento ficou alagado, o que afetou a geladeira e outros itens eletrônicos. "Já choveu bastante aqui, mas nunca desse jeito."
O comerciante ainda afirma que "as pessoas que olham de fora, na televisão ou fotos, não têm noção da metade do caos" em que a cidade se encontra. "É impossível que só 36 pessoas tenham morrido nesse desastre aqui, ainda tem gente soterrada."
Cenário desesperador
O cenário desesperador do município foi tanto que até o governador do estado e o presidente da República foram à região e acionaram as corporações de resgate para ajudar no atendimento às vítimas.
A turista Tatiane Silva, que passaria o Carnaval com a família no litoral norte e venderia bijuterias na praia, diz que só conseguiu trabalhar no sábado de manhã, porque a partir das 17h a chuva forte já havia começado.
"Aí começou o desespero, a água subiu rápido. Tinha água que estava cobrindo o pescoço em bairros aqui que eu já morei, eu cresci aqui. Conhecia todo mundo que morreu, é muito triste", conta.
Os serviços de água, luz e telefonia estão comprometidos em razão da queda de postes e do carreamento de sedimentos para as estações de tratamento de água. A mulher diz, ainda, que por conta disso, a comunicação está ruim, mas cada vez que conseguem acessar a internet ou telefone, ela e a família são informadas da morte de algum conhecido.

"Estamos na praia de Juquehy, só que tem uma parte que foi muito afetada aqui, na Vila Sahy, que o pessoal está sem água e ninguém consegue sair daqui para ajudar por causa da lama." Tatiane pede que os helicópteros do Corpo de Bombeiros e da Polícia Militar que estão nessa região ajudem esses moradores.
Um outro turista, Ricardo Zapata, que mora na capital mas iria passar o Carnaval em uma casa que tem na cidade, relata que tanto a praia de Juquehy quanto a de Maresias foram muito afetadas, e está quase impossível ir até lá. "Tem gente que ainda tenta ir de caiaque", conta.
Deslizamentos, quedas de árvores, morte, interdição de estrada e calamidade pública: as chuvas intensas e intermitentes ocorridas desde sábado (18) deixaram um cenário caótico por diversas regiões do estado de São Paulo
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