Sabesp quer atrair grandes consumidores

Após anunciar fim da crise hídrica, companhia quer que empresas deixem de usar poços

Sabesp declarou que crise hídrica no Estado de SP foi superada
Sabesp declarou que crise hídrica no Estado de SP foi superada Vagner Campos/ A2 Fotografia/16.05.2014

Após declarar o fim da crise hídrica, a Sabesp (Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo) começa agora a negociar com grandes consumidores para que eles abandonem os poços perfurados durante o período crítico de abastecimento na região metropolitana, entre 2014 e 2015, e voltem a consumir água produzida pela estatal.

No auge da crise, em janeiro de 2015, cerca de 70% dos chamados clientes fidelizados, como supermercados, montadoras e condomínios comerciais, haviam migrado para uma fonte alternativa, provocando perda de receita para a empresa. "Estamos em negociação com quem furou poço, como redes de supermercado e algumas indústrias. Em um primeiro momento, há interesse de indústrias e comércios em abandonar o poço pois, apesar do investimento feito, o custo operacional é maior do que a tarifa praticada pela Sabesp", disse na terça-feira (17) o diretor metropolitano da estatal, Paulo Massato, durante conferência.

Dados do balanço financeiro da Sabesp mostram que o volume de água faturado pela companhia no primeiro trimestre, marcado por chuvas abundantes e pela declaração do fim da crise, só cresceu na categoria residencial (3,1%) na comparação com o mesmo período de 2015. Enquanto isso, nos setores industrial, comercial e público, onde se concentram os grandes consumidores, as quedas chegaram a 9,5%. "Na indústria, eu diria que a crise econômica é muito mais impactante do que a hídrica. Grandes consumidores, como a indústria automobilística, estão consumindo praticamente zero. No comercial é meio a meio", afirmou Massato.

Até o ano passado, a Sabesp mantinha mais de 600 contratos com grandes consumidores, que gastam pelo menos 500 mil litros por mês. A vantagem para o cliente é que o custo do litro de água vai caindo na medida em que o consumo cresce, lógica inversa da tarifa convencional. Por exemplo: na faixa de consumo de 500 mil a 1 milhão de litros, cada mil litros (metro cúbico) custa R$ 14,59. Já acima de 40 milhões de litros, o preço cai para R$ 9,65. Para ter a tarifa reduzida, o cliente tinha de atingir uma meta mínima de consumo. Essa exigência foi suspensa em fevereiro de 2014, após o início da crise, e os clientes liberados a captar água de outras fontes.

"Durante a crise foi permitido que a tarifa [reduzida] fosse praticada mesmo [o cliente] não atingindo o mínimo contratual", disse Massato. "Agora estamos conversando com a indústria e o comércio para que voltem ao volume contratado."

Segundo a Sabesp, esses grandes consumidores respondem por 11,7% de todo volume faturado com água — 77,6%% são de residências e 10% de cidades permissionárias, como Guarulhos e Santo André —, mas oferecem receita maior, pois consomem mais e ajudam a subsidiar a tarifa dos clientes comuns.

Tarifa

O presidente da Sabesp, Jerson Kelman, disse que uma das prioridades é propor revisão da estrutura tarifária da companhia, prevista para 2017, para "corrigir uma série de problemas e distorções", aumentar a base de clientes que recebem tarifas subsidiadas e a capacidade de investimentos da companhia para melhorar os serviços prestados. A tendência é de que as tarifas subam gradativamente para a classe média. Embora tenha registrado lucro 97% maior no primeiro trimestre em relação ao mesmo período de 2015, a Sabesp não recuperou o padrão de receita pré-crise.

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.