Um ano após reintegração, famílias do Pinheirinho tentam recuperar suas casas
Hoje, área tem mato, cercas e seguranças; a calçada do lado de fora virou uma minicracolândia
São Paulo|Do R7, com Hoje em Dia e Agência Estado

Um ano após reintegração de posse, as familias do Pinheirinho — um terreno de 1,3 milhão de metros quadrados em São José dos Campos, no interior paulista — tentam recuperar suas casas. Mais de 2 mil policiais militares retiraram da área 8 mil pessoas que viviam ali desde 2004.
Não houve tempo de reação e os moradores que haviam se armado de porretes, caneleiras de PVC e capacetes de moto foram surpreendido pelos pelos policiais.
Hoje, a área tem apenas mato, cercas e seguranças privados espalhados para evitar uma nova invasão, a calçada do lado de fora virou uma minicracolândia. O terreno foi devolvido à massa falida da empresa Selecta, do investidor Naji Nahas, como ordenou a juíza Márcia Faria Mathey Loureiro.
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As 1.500 famílias despejadas da área invadida tentam hoje reconstruir a vida. Alguns moradores estão acampados ao redor do terreno em condições precárias.
O lixo sempre foi muito mais para Ismael Alves Santos. É da reciclagem que sai o sustento da família e foi com ela que o catador de recicláveis ergueu a casa própria. O pesadelo é que a construção foi em uma área invadida e tudo desmoronou com a desocupação do terreno.
— Eu tinha acabado de fazer a cozinha nova e o quarto.
Seu Ismael era como centenas delas. Só queria um pedaço para viver. Depois de percorrer muitos abrigos e esperar meses pelo aluguel social, ele chegou ao novo endereço. A dificuldade só não é maior porque três famílias juntaram os benefícios de R$ 500 cada uma e alugaram uma casa para dez pessoas. Eles dividem a comida, o trabalho da casa e as contas.
Um dos cômodos virou a casa da dona de casa Cláudia da Silva Cerqueira, do marido e do filho. O lugar é quente, pouco ventilado e sobrou pouco para arrumar.
— A gente se sente derrotado depois que saiu de lá. Lá nós tinha a nossa vida própria, nossa casa com tudo. É difícil. Hoje a gente só vê mato dentro do Pinheirinho.
A casa dela levou sete anos para ser construída e depois virou entulho. A desocupação impactou a vida de muita gente: idosos, crianças e ainda quem nem tinha nascido. É o caso de Letícia, que ainda estava na barriga de Aslane Jéssica Cerqueira quando tudo aconteceu.
— Eu queria ter a criança lá. Aí nós saiu e ficou no abrigo.
Foram semanas dividindo o canto num pátio, o banheiro coletivo, a comida que chegava racionada. Depois dos abrigos, a casa de parentes e amigos. Agora são seis cômodos para dez pessoas. Não era bem o que o ajudante de pedreiro Lucas Bezerra de Faria planejava quando decidiu casar com Jéssica.
— Eu tinha conseguido um cômodo nos fundos para mim morar com ela, mas com essas tragédias todas, aí. Não fiquei nem um mês e destruíram tudo. Para mim tá pior, todo mundo amontoado em uma casa só. Lá todo mundo tinha seu cantinha, já estava acostumado com o ambiente.
A disputa pela área é uma luta dos moradores na Justiça desde 2004. Um dos advogados do movimento sem-teto, Antônio Donizete Ferreira, diz que a terra poderia ter sido tomada de São José dos Campos para construção de moradias populares há muito tempo, já que o dono da área tem uma dívida de IPTU e outros tributos.
— A dívida do terreno hoje está por volta de R$ 50 milhões. O que a gente mais sente é que tiraram as famílias de uam forma violenta. Colocaram as famílias no olho da rua. Tem gente hoje morando muito mal e eles não ocuparam o terreno para nada. O terreno está perdido, só criando mato muito alto e que serve aí para desova de cadáver, para esse tipo de coisa. O terreno está parado e perdido.
A área ao redor do Pinheirinho virou um ponto de tráfico de drogas. Ali moram hoje algumas pessoas que não conseguiram retomar a vida após a desocupação, como Talita de Cássia Martins, de 22 anos.
— Eu perdi meus documentos aí dentro. Eu fazia o pré-natal da minha filha, eu perdi tudo. Minhas coisas todinhas. O que eu queria ter é minhas coisas de volta. Só que pra ter, eu tenho que tirar novos documentos. Mas como eu vou ter meu aluguel, se eu sou usuária de crack e vivo nesse lugar.
Ela perdeu mais do que o dinheiro pode comprar. Está longe da filha. A menina mora com a avó. O único consolo é saber que onde mora hoje a criança não estaria segura. Comida e água, só quando alguém atende os pedidos que faz de porta em porta quando não está dominada pelo crack.
Assista ao vídeo:
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