Saúde

3/10/2012 às 05h40 (Atualizado em 3/10/2012 às 05h40)

Câncer de mama tem cura quando diagnosticado de forma precoce, alertam mastologistas

Idade, estágio da doença e características do tumor e da paciente definem o melhor tratamento

Fabiana Grillo, do R7

Entre 60% a 70% das cirurgias de câncer de mama conserva o seio Getty Images

Nos últimos anos, o tratamento do câncer de mama evoluiu muito e já não preconiza a retirada total do seio após o diagnóstico da doença. Pelo contrário, esta “temida” cirurgia — conhecida como mastectomia — geralmente é indicada em casos mais avançados, ou seja, quando o tumor está muito grande.

De acordo com o mastologista Dr. José Roberto Filassi, coordenador de Mastologia do Icesp (Instituto do Câncer do Estado de São Paulo), mais da metade das cirurgias não retira a mama.

— Hoje em dia, entre 60% a 70% das cirurgias de câncer de mama conserva o seio. No caso da necessidade da mastectomia, normalmente o cirurgião faz a imediata reconstrução mamária.

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As intervenções cirúrgicas estão cada vez menos invasivas e a recomendação do tratamento vai depender especialmente do estágio do câncer, que costuma ser classificado de zero a quatro, sendo em ordem crescente sua gravidade. A explicação é da mastologista Dra. Maria do Socorro Maciel, diretora do Núcleo de Mastologia do Hospital A.C.Camargo, em São Paulo (SP).

O estágio zero é o mais inicial, ou seja, há mais chance de cura. No entanto, vale destacar que todo diagnóstico de câncer exige tratamento cirúrgico para retirar tanto o tumor quanto alguns gânglios ao redor do local afetado. Isso nos dá mais margem de segurança.

A médica acrescenta que idade, características do tumor, perfil da paciente e histórico familiar da doença também contribuem para a definição do tratamento mais adequado.

Radioterapia e quimioterapia

Os especialistas enfatizam que nem toda paciente precisa se submeter a radio ou quimioterapia. Segundo a Dra. Maria do Socorro, ambas vão complementar o tratamento cirúrgico e assegurar a eliminação total da doença.

— A radioterapia ajuda a terminar de matar as células malignas que não tenham sido extirpadas cirurgicamente. Na prática, a paciente entra num aparelho que emite radiação por cerca de 10 minutos durante 20 a 30 dias. Já a quimioterapia é indicada para ajudar a matar as células tumorais que podem estar espalhadas pelo corpo e geralmente é recomendada quando o tumor mede mais do que 1 cm ou há a presença de gânglios na axila.

Sobre os efeitos colaterais, a radioterapia é mais amena e pode queimar um pouco a pele da mama e deixar a mulher com sonolência e moleza.

No caso da quimioterapia, a queda de cabelo, o maior risco de infecções resultado da diminuição dos glóbulos brancos (responsáveis pela defesa do organismo) e a presença de náuseas e enjoos são os mais evidentes.

Hormonoterapia

Cerca de 60% das mulheres tem tumores com receptores hormonais positivos, ou seja, os chamados hormônios femininos (receptores de estrogênio e progesterona) que servem de “alimento” para a célula tumoral.

Na presença destes receptores, a mulher pode utilizar a hormonoterapia como parte do tratamento em qualquer fase da doença. Além da cirurgia e, quando necessário, da quimioterapia, a paciente vai administrar um comprimido via oral durante cinco anos. A mastologista do Hospital A.C.Camargo explica:

— O tratamento com a medicação oral é preventivo e visa reduzir a chance de a doença voltar. Depois dos cinco anos, a mulher deve visitar o médico anualmente.

Segundo a médica, os efeitos colaterais mais comuns desta terapia são aumento das ondas de calor, risco de doença tromboembólica e catarata.

Mortalidade

De acordo com o Inca (Instituto Nacional do Câncer), a taxa de mortalidade do câncer de mama é relativamente alta porque a doença ainda é diagnosticada em fase avançada. Por isso, a Dra. Maria do Socorro reforça a necessidade da prevenção.

— Se a doença for detectada em estágio inicial a chance de cura chega a 90%. Além disso, se o diagnóstico e o tratamento forem adequados, a chance de a outra mama ser atingida é de 0,6% ao ano.

Para o mastologista Dr. Ruffo de Freitas Jr., diretor da Escola Brasileira de Mastologia da SBM (Sociedade Brasileira de Mastologia), houve uma mudança significativa no estigma do câncer de mama.

— Câncer não é mais sinônimo de morte. Novas pesquisas e medicações nos possibilitam tratar melhor a doença e dar esperança de vida ao paciente.

 

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