Descoberta de anticorpo para zika vírus é esperança por vacina contra a doença

Amostras de sangue de pacientes revelou que corpo pode se fortalecer contra infecções 

Pesquisa aponta caminho para criação de vacina para zika vírus
Pesquisa aponta caminho para criação de vacina para zika vírus Thinkstock

Cientistas da Universidade Rockefeller, nos EUA, identificaram uma arma potente contra a zika no sangue de pessoas que foram infectadas com o vírus. A descoberta pode liderar novos caminhos de combate à doença, como a vacina.

Em amostras de sangue de pacientes infectados no Brasil e no México, foram encontrados anticorpos — proteínas produzidas pelo sistema imune — que bloqueiam o vírus antes da infecção. Os anticorpos parecem ter sido inicialmente gerados em resposta à uma infecção anterior por um vírus relacionado à causa da dengue.

O professor associado de pesquisa Davide F. Robbiani do laboratório de Michel C. Nussenzweig, é um dos responsáveis pelo estudo.

— Em um futuro recente, esses anticorpos podem ser muito úteis. Pode-se imaginar, por exemplo, que se administrados eles podem prevenir com segurança a zika entre as mulheres grávidas e outras pessoas com mais risco de contrair a doença.

As interações entre os anticorpos e o vírus também revelaram potencial para desenvolvimento de uma vacina contra o zíka vírus.

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Alvo preciso

Um vírus da zika transmitido por mosquito geralmente causa sintomas leves naqueles que o contraem. No entanto, efeitos devastadores podem aparecer na próxima geração. Bebês nascidos de mulheres infectadas durante a gravidez têm mais risco de desenvolver sequelas neurológicas, de acordo com a universidade.

A única maneira de não evitar a doença é não ser picado pelo mosquito. Atualmente, não existe vacina ou outras medidas para se proteger da zika.

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Cinco em cada seis

Por meio de colaboradores que trabalham no Brasil e no México, os cientistas obtiveram amostras de sangue de mais de 400 pessoas, coletadas logo após a circulação do vírus no corpo.

Ainda segundo a universidade, as respostas individuais ao mesmo agente podem variar muito. No entanto, uma análise mais profunda das amostras de seis dos voluntários com os anticorpos mais promissores revelou uma surpresa: cinco deles continham a mesma espécie de anticorpos quase idênticos. Esta semelhança sugeriu que estas moléculas eram particularmente boas em combater o vírus.

Quando a equipe examinou o desempenho desses anticorpos intimamente relacionados contra a zika, um, obtido a partir de sangue de um voluntário mexicano, se destacou. Quando este anticorpo chamado Z004 foi dado a ratos, eles se tornaram vulneráveis à doença, mas permaneceram protegidos de infecções mais graves.

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