Saúde

28/12/2012 às 08h15 (Atualizado em 28/12/2012 às 09h39)

Falta ar-condicionado a pacientes com leucemia no Hospital das Clínicas de SP

Desconforto daqueles que passam por sessões de quimioterapia e se recuperam de transplantes de medula óssea é ainda maior

Agência Estado

Pacientes com leucemia internados no ICHC (Instituto Central do Hospital das Clínicas) da USP, na região central de São Paulo, reclamam da falta de refrigeração nos leitos do 8º andar. O sistema de refrigeração central que leva o ar mais frio a cada um dos cerca de 10 leitos afetados no andar não funciona há pelo menos 11 dias.  

E com as altas temperaturas na cidade — a máxima na última quarta-feira (26) alcançou 34°C —, o desconforto dos pacientes que passam por sessões de quimioterapia e se recuperam de transplantes de medula óssea é ainda maior.

A perda de sono seria a principal consequência. “Todo mundo se queixa, conta uma paciente que prefere não se identificar.

— A pessoa não consegue dormir, não consegue descansar e fica toda suada.

Ela foi submetida na quarta-feira ao segundo transplante de medula em dois anos. Após um ano de realização do primeiro transplante, em maio de 2010, a paciente teve uma recaída e precisou passar por novo transplante. Ela foi diagnosticada há três anos com leucemia (câncer sanguíneo).

Na quinta-feira, outra paciente reclama do incômodo provocado pela falta do ar condicionado. “

— Fiz meu transplante de medula anteontem. Depois, passei mal, cheguei a vomitar duas vezes. O médico disse que é natural do tratamento, mas com esse calor tudo piora.

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O desconforto com a situação, agravado pelo clima mais quente dos últimos dias, preocupa os familiares, como revela o pai da paciente:

— “O transplante de medula já é uma agressão à pessoa, com esse calor deve dar um desgaste ainda maior”, diz o pai da paciente.

Segundo ele, o sistema de refrigeração foi o único problema observado durante todo o período de internação de sua filha. “

— Do ponto de vista médico, ela foi muito bem tratada. O problema agora é que estou vendo minha filha sofrer e várias outras pessoas também. Todos reclamam, mas a providência definitiva não é tomada.

Ouvidoria

Inconformado com a situação, ele resolveu acionar a ouvidoria do HC. “

— Disseram que uma peça havia quebrado e seria necessário fazer uma licitação para substituí-la.

A preocupação do pai vai além do desconforto da filha. “As complicações dos pacientes são sempre no pós-transplante e nessa temperatura ela pode ficar mais suscetível a alguma infecção”, acredita.

De acordo com especialistas consultados pelo Estado, contudo, a falta de refrigeração nos leitos — os quartos geralmente são compartilhados por duas pessoas — não aumentaria a taxa de infeção hospitalar nem traria maiores complicações médicas, explica Garles Matias Vieira, médico do Departamento de Oncologia Clínica do Hospital A. C. Camargo:

— “Esse calorão é incômodo, mas a ausência do ar condicionado não vai afetar a recuperação dos pacientes”.

O mesma afirma José Medina, presidente da (ABTO) Associação Brasileira de Transplantes de Órgãos.

— O calor é desconfortável para todo mundo. E quando a paciente for para casa, o desconforto vai ser levado também para lá. Esse calor não interfere no tratamento.

Para os pacientes que tiveram órgãos transplantados — em vez da medula óssea —, a ausência do ar condicionado também não seria um grande problema a ser enfrentado durante a recuperação, diz Valter Duro Garcia, do Registro Brasileiro de Transplantes de Órgãos. “

— Para órgãos, o ideal é que tenha ar condicionado para o conforto do paciente, mas não é decisivo e a sua ausência não vai causar nenhuma infecção mais grave nos órgãos”.

Consultado, o Instituto Central do Hospital das Clínicas da USP informou, em nota, que trata-se de um “defeito pontual”. Segundo a unidade, nesta sexta-feira (28) “o problema já será resolvido e nenhum paciente teve o seu atendimento médico prejudicado”. A nota não faz referência à necessidade de licitação para sanar o problema.

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