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Falta de contato com a natureza pode causar problemas de aprendizado, obesidade e até depressão em crianças

Para especialista, brincar ao ar livre pode melhorar a saúde dos pequenos

Marcella Franco, do R7

"Até mesmo um jardim já é suficiente", diz Richard Louv, autor de A Última Criança na Natureza
"Até mesmo um jardim já é suficiente", diz Richard Louv, autor de A Última Criança na Natureza Getty Images
Richard Louv lança livro A Última Criança na Natureza no Brasil nesta semana
Richard Louv lança livro A Última Criança na Natureza no Brasil nesta semana Divulgação

Pense rápido e responda: você leva seus filhos ao parque, à praça, a lugares em que ele brinque em meio a árvores e muito verde? Se sua resposta foi qualquer outra que não um “sim, sempre”, pode ser que a falta de interação de seus pequenos com a natureza esteja impedindo-os de se desenvolver completamente, inclusive no que diz respeito à sua saúde.

Problemas de aprendizado, hiperatividade, falta de criatividade e até mesmo obesidade e depressão podem ser sintomas do Transtorno do Déficit da Natureza, termo criado pelo americano Richard Louv, autor do livro A Última Criança na Natureza, já traduzido para 15 idiomas e que é lançado esta semana no Brasil, durante o 1º Seminário Criança e Natureza, que acontece em São Paulo e no Rio de Janeiro.

Louv baseia-se, entre outros, no estudo da hipótese da biofilia, tese criada pelo entomologista da Universidade de Harvard Edward Osborne Wilson, que diz que o ser humano tem a tendência a se conectar à natureza, e que obedecê-la traria apenas benefícios ao organismo.

“As pessoas se preocupam apenas com as questões nutricionais na tentativa de acabar com a obesidade infantil, sendo que muitos estudos já mostram que apenas um pouco de contato com a natureza, que seja na forma de um passeio rápido todos os dias, já ajudaria a diminuir os índices desse problema consideravelmente”, acredita Louv.

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Dados da Federação Mundial de Obesidade mostram que o Brasil tem alguns dos piores índices em relação ao problema. Entre 1989 e 2009, o número de meninos com sobrepeso passou de 4,1% para 16,6%, enquanto entre as meninas o salto foi de 2,4% para 11,8%. Entre os brasileiros, a obesidade atinge 14,3% das crianças, totalizando 32% das meninas e 34,8% dos meninos. 

São números alarmantes, e que, para Louv, seriam resultado também de uma infância solitária e passada, em sua maioria, dentro de ambientes fechados. “Nos Estados Unidos, os pais fazem de tudo pela educação dos filhos: pagam aulas de violino, aulas de futebol, mas não pensam sobre a natureza. É uma geração de pais de jovens que cresceu na frente do videogame, que passou a maior parte da vida no mundo virtual. Eles não sabem como agir porque ninguém os ensinou”.

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Em relação às escolas, Louv entende que o ideal é escolher para os filhos uma instituição que tenha ao menos um pequeno espaço verde em suas instalações, e que permita que os alunos desfrutem dele ao longo do dia.

“Escolas assim costumam ter um melhor desempenho em testes de avaliação de mercado”, completa o escritor. “E é preciso que definamos aqui o que significa natureza, para que não se pense que são necessários grandes espaços, parques imensos. Até mesmo um pequeno jardim, uma praça da comunidade em cidades grandes, com árvores que atraiam borboletas: isso já é suficiente”.

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Uma pesquisa recente encomendada por uma multinacional de bens de consumo, e realizada com 12 mil pais de crianças entre cinco e 12 anos, apontou que as brincadeiras ao ar livre estão, de fato, em declínio. No Brasil, 84% das crianças brincam ao ar livre por apenas duas horas ou menos diariamente, enquanto 40% tem uma hora ou menos para este tipo de atividade.

“Não vou dizer que crias espaços verdes em cidades grandes seja algo fácil”, pondera Louv. “Mas podemos começar com programas que tirem as crianças de casa, com organizações que façam parcerias com fazendas perto da cidade, empresas que patrocinem ônibus de transporte. As próprias escolas podem ajudar e encorajar isso”.

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