Filhos de pais que ficam muito no celular terão dificuldades na escola e problemas de saúde mental

Especialista alerta para os riscos da obsessão por tecnologia em família

  • Saúde
  • Do R7
Médico recomenda que celular fique longe da mesa de refeições
Médico recomenda que celular fique longe da mesa de refeições Rafael Neddermeyer/Fotos Públicas

Se você costuma morder as torradas do café da manhã enquanto digita no celular, não são apenas seus dedos que você está colocando em risco. Seus filhos também correm sério perigo toda vez que você faz isso.

O motivo? As crianças da nova geração estão absorvendo a obsessão por tecnologia de seus pais, e isso já começou a afetar a saúde mental delas, além de seu desempenho escolar.

O médico especialista em saúde e educação infantil Aric Sigman disse que mães e pais precisam dar um bom exemplo para os filhos ao terem “jantares sem telas”, não permitindo que a tecnologia “ampute” as conversas familiares.

Sigman, da Royal Society of Medicine, acredita que algumas áreas da vida em família precisam ser preservadas e protegidas de “intromissões das telas de dispositivos de entretenimento”.

Além disso, o médico também recomendou que os pais tomem cuidado com o uso excessivo de tablets, celulares e outros eletrônicos por parte das próprias crianças, reduzindo o tempo de uso a, no máximo, duas horas por dia.

Para o médico, o uso inadequado e além do recomendado pode causar graves impactos à saúde mental das crianças. Segundo ele, os pais precisam dar aos filhos “o dom do tédio”, que ensina os pequenos a se entreterem sozinhos.

O assunto é tema de uma palestra que Sigman dará na Mental Health in Schools, do Reino Unido, nesta quarta-feira (16).

— Pais e mães precisam observar sua relação com a tecnologia e o modo como a utilizam na frente das crianças para saber se estão ou não passando um bom exemplo. Precisam se disciplinar para que nenhuma conversa em família seja interrompida por um celular, porque isso passa uma mensagem às crianças de que a coisa mais importante na casa é olhar para aquela tela, mesmo que alguém esteja ali na sua frente tentando falar com você.

Para Sigman, os diretores das escolas poderiam aconselhar os pais sobre este assunto. De acordo com dados oficiais relatados pelo médico em entrevista ao jornal britânico Daily Mail, por volta dos sete anos, as crianças já terão sido expostas a telas de celulares, tablets e afins por um total de horas que somaria um ano completo.

Aos 18 anos, estes indivíduos atingirão um total de três anos cheios na frente de telas.

Um estudo da Organisation for Economic Co-operation and Development publicado na terça-feira (15) mostra que adolescents que passam mais de seis horas conectados antes e depois da escola têm mais tendência à solidão e a deixar de fazer as lições de casa.

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