Acordo entre Mercosul e UE vai gerar economia de US$ 320 milhões ao setor de suco de laranja nos próximos cinco anos
‘É um acordo importantíssimo para o Brasil e para o agronegócio em particular’, declarou diretor da CitrusBR
Agronegócios|Do R7, com RECORD NEWS
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Foram 25 anos de negociação com o Mercosul. Quando tudo começou, Fernando Henrique Cardoso ainda era presidente do Brasil. Desde então, muitas coisas mudaram. Após duas décadas de discussão e mudanças de última hora, o acordo de livre comércio entre a União Europeia e o Mercosul foi aprovado nesta sexta (9) pela maioria dos membros do bloco europeu, com 15 dos 27 Estados-membros votando a favor. Os grupos juntos devem formar a maior área de livre comércio do mundo. França, Irlanda e Polônia desaprovaram o resultado.
Eles contavam com o apoio da Itália — que já havia manifestado discordâncias com a medida — para barrar o acordo; entretanto, nesta quarta-feira (4) o país decidiu subitamente aceitar os benefícios oferecidos pela União Europeia. Centenas de agricultores franceses protestaram em Paris contra a escolha. A principal justificativa da oposição é que o setor agrícola sofrerá uma suposta concorrência desleal em setores como carne bovina e cereais. Fora isso, o pacote de ajuda inclui a redução de impostos em investimentos equivalentes a R$ 280 bi para os países latino-americanos.
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Para entender melhor como o agronegócio nacional será afetado e quais serão os benefícios que o país receberá com a assinatura do acordo na próxima segunda (12), em Assunção, Paraguai, o Conexão Record News desta sexta (9) entrevistou Ibiapaba Netto, diretor-executivo da CitrusBR (Associação Nacional de Sucos Cítricos). Segundo o especialista, a aprovação do tratado representará uma economia de cerca de US$ 320 milhões (R$ 1,7 bilhão, na cotação atual) nos próximos cinco anos. “Sem sombra de dúvida, é um acordo importantíssimo para o Brasil e para o agronegócio em particular”, enfatizou.
Embora a longo prazo as vantagens sejam várias, ainda vai demorar um pouco para a economia começar a sentir os efeitos do pacto. De acordo com Netto, ainda neste ano os ritos necessários para colocá-lo em prática começarão a entrar em vigor. Ao ser questionado se o aumento das exportações elevará o preço dos produtos que estão sendo comercializados, o diretor tranquilizou: “80% da produção de laranja é destinada para a produção de suco para exportação. E o Brasil só tem uma disponibilidade tão grande por conta dessa grande indústria exportadora de suco de laranja. [...] A exportação, na maioria das vezes, ajuda o consumo interno.”

O aumento do comércio e a responsabilidade atrelada também chamam atenção a um ponto importante: a fiscalização e higiene dos produtos. O entrevistado destacou que há um capítulo especial na aliança chamado SPS, no qual as regras sanitárias estão extensamente detalhadas. Ele lembra que os modelos brasileiros já atendem a todos os padrões internacionais. Fora isso, fortalecer os laços com a UE levará a uma expansão ainda maior dos mercados: “Pelo menos no setor de suco de laranja, atendemos já há 60 anos todas as regras internacionais que possuem altíssima exigência. E eu costumo falar que quem exporta para a União Europeia exporta para qualquer lugar do mundo”.
Apesar dos inúmeros benefícios que vêm com o tratado, Netto alertou que ele também serve como uma via de mão dupla. Produtos europeus ficarão mais baratos no Brasil, o que pode afetar diferentes setores; tal ponto foi revisado diversas vezes durante as negociações para ajudar esses mercados. Ainda assim, ele acredita que o preço de máquinas vindas da Europa também irão diminuir. “Isso vai aumentar a produtividade da indústria nacional e facilitar com que haja um incremento, inclusive, da produção doméstica.”
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