Entenda os efeitos do acordo entre Mercosul e União Europeia para o agro brasileiro
Felippe Serigati, pesquisador da FGV Agro, esclarece o que pode mudar para o produtor rural e os consumidores locais
Agronegócios|Do R7, com RECORD NEWS
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A União Europeia aprovou e formalizou o acordo de livre-comércio com o Mercosul, formando o maior bloco comercial do mundo, estimado em mais de 700 milhões de consumidores. O agronegócio brasileiro está no centro desse acordo.
O Record News Rural desta segunda-feira (12) recebeu o pesquisador Felippe Serigati, do FGV Agro, para analisar os benefícios e os desafios dessa nova medida.
Serigati classificou o acordo como uma boa notícia, mas pontuou que, dado o enorme volume atual de exportação do agro brasileiro, o incremento não é tão significativo. “Agora produtos brasileiros conseguem acessar o mercado da União Europeia com maior facilidade ou pelo menos com menor dificuldade. No entanto, no final das contas desse processo de negociação, o volume adicional de produto brasileiro não é tão grande assim”, afirmou.
De acordo com o especialista, as exportações brasileiras totalizaram quase US$ 170 bilhões (R$ 912 bilhões, em cotação atual), com superávit de quase US$ 150 bilhões (R$ 800 bilhões, em cotação atual) no ano passado.
Para o pesquisador, o acordo traz outro benefício, que ele chama de “efeito de sinalização”. Como a Europa é muito rigorosa em controle de qualidade sobre o que entra no bloco, especialmente relacionado à alimentação, o acordo chancela, de alguma forma, a qualidade do produto agro nacional.
“Então, imagina um outro país que queria adquirir produtos do agro brasileiro. Naturalmente, eles vão questionar a qualidade desse produto. O agro, que é do lado de cá da fronteira, as entidades de classe, as empresas, o governo, todos eles vão dizer: ‘não, o produto tem qualidade, fica tranquilo’, mas você tem agora um reforço nessa argumentação. O produto tem muita qualidade, tem tanta qualidade que consegue acessar o mercado bastante rigoroso, como é o mercado europeu”, explicou.
Serigati também observou que o efeito do acordo é diferente para cada cadeia do agro brasileiro. Ele ainda tranquilizou quem acredita que uma consequência possa ser o encarecimento para o consumidor brasileiro. “O problema maior naturalmente é derrubar, mesmo que parcialmente, as barreiras para conseguir acessar aquele mercado. O grande mercado consumidor dos produtos do agro brasileiro é o próprio Brasil, então aquela ideia de que para você exportar, você gera escassez no mercado interno, definitivamente não vale para o universo agro”, analisou.
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