Especialista explica impactos do acordo Mercosul-UE para o agronegócio brasileiro
Professor Daniel Vargas destaca que tratado pode abrir novas oportunidades comerciais para o país
Agronegócios|Do R7, com RECORD NEWS
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O recente acordo assinado entre a União Europeia e o Mercosul promete trazer mudanças significativas para o agronegócio brasileiro. Em entrevista ao Record News Rural desta terça-feira (20), o professor Daniel Vargas, doutor em direito por Harvard e docente da FGV Direito Rio, destaca que este tratado pode abrir novas oportunidades comerciais tanto a curto quanto a longo prazo.
A curto prazo, espera-se que as exportações brasileiras de alimentos como carne bovina e aves se beneficiem das cotas estabelecidas pela União Europeia. “A grande tendência é que haja novos espaços para trocas comerciais, mas sobretudo no caso brasileiro, que tem uma vantagem na nossa produção de alimentos e exportação para a Europa, ganhos sobretudo de valor para quem já participa do mercado europeu. [...] Isso parece ser o caso, por exemplo, da carne bovina, também da carne das aves, do etanol, de certo modo do açúcar e quem sabe até da própria soja entre os produtos brasileiros”, explica. A redução ou eliminação tarifária deve aumentar as margens de lucro para os produtores brasileiros já inseridos neste mercado.

Por outro lado, produtos industriais europeus podem ganhar mais espaço no Brasil devido à sofisticação tecnológica. “Europa tem uma sofisticação tecnológica, uma capacidade de competir maior do que a indústria brasileira, muito fragilizada ao longo das últimas décadas, de ter também mais mercado no Brasil para vender os seus bens e ao fazer isso também aumentar a sua margem”, comenta.
Vargas também aponta possíveis desafios para setores brasileiros como vinhos e queijos devido à concorrência europeia sem tarifas. “Alguns produtos que nós consumimos, como, por exemplo, vinhos, alguns deles produzidos aqui em casa, queijos, que nós também temos uma produção significativa, podem sofrer uma competição com a Europa. E a partir daí, vinhos, queijos de alta qualidade, muitas vezes com uma demanda muito particular no mercado, poderão ingressar no nosso mercado sem tarifas a um preço competitivo, ameaçando, naturalmente, a competição aqui em casa”, argumenta. Além disso, há preocupações sobre a indústria farmacêutica nacional frente à competição com empresas europeias maiores.
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Outro ponto do acordo são as regras ambientais rigorosas exigidas pela Europa. Elas devem influenciar políticas industriais e agrícolas no Brasil ao alinhar práticas sustentáveis conforme padrões globais acordados. “À medida em que esse acordo for sendo implementado, estruturado, há uma tendência de diálogos, de negociações e também de tensões em matéria ambiental. Porque, se por um lado se abrem as portas do comércio, por outro lado, se condiciona esse fluxo de bens na obediência ao conjunto de parâmetros ambientais pré-estabelecidos”, explica Vargas.
O processo completo de ratificação do acordo pode levar anos até ser finalizado em todos os parlamentos nacionais envolvidos. Entretanto, Vargas estima que provisoriamente ele comece a vigorar já em 2026 com reduções tarifárias iniciais sendo implementadas gradualmente nos próximos anos.
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