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Análise: A cultura do absurdo propõe “novas verdades”

Pessoas transraciais, transdeficientes, trans-idade... Desdobramentos de uma cultura onde cada um quer viver a “sua verdade”  

|Patricia Lages

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Cena da série The Rachel Divide, em que mulher branca se passa por negra
Cena da série The Rachel Divide, em que mulher branca se passa por negra

Nossa sociedade reconhece as pessoas transgênero que, resumidamente, sentem ter nascido no corpo errado e optam pela mudança de sexo. Hoje, há leis que asseguram proteção e direitos e, além disso, a medicina desenvolveu procedimentos para que a transição seja feita da maneira mais segura possível.

Porém, esse sentimento tem se ampliado e, atualmente, há outros grupos buscando reconhecimento da sociedade em relação às suas escolhas. É como se dissessem: “se as pessoas podem trocar de sexo, também posso trocar de raça, de idade ou mutilar meu corpo como desejar.” Isso até me fez lembrar da famosa hashtag #meucorpominhasregras.


O australiano Robert Vickers parece ter levado a ideia a sério, pois foi a um depósito abandonado, imergiu a perna esquerda em gelo seco e telefonou para a esposa. Ao acordar no hospital, sentiu-se feliz ao ver seu maior sonho realizado: ter uma perna amputada. “No dia 21 de junho de 1984 atingi o meu Nirvana. Foi o dia que renasci em um novo corpo. Um corpo de uma só perna”, declarou Vickers.

Pela ciência, ele sofre de TIIC, transtorno de identidade da integridade corporal. Mas, isso até que se diga que estão desrespeitando sua escolha ao não aceitar a diversidade e o direito de as pessoas serem o que quiserem. Evitando o “rótulo” de transtorno, eis que surge o termo transdeficiente. Não quero nem imaginar um médico sendo obrigado a amputar um membro funcional ou cegando alguém que enxergue normalmente... E não pense que estou dando ideias, pois há um caso registrado de uma mulher que jogou ácido nos olhos porque se “sentia” cega.


Outro caso controverso é o da americana Rachel Dolezal, que nasceu branca, loira e de olhos claros, mas se passou por negra durante vários anos. Sua história deu origem ao documentário “The Rachel Divide”, disponível na Netflix.

Passando-se por negra, ela chegou a ser presidente de uma organização renomada que trabalha pelos direitos dos negros, nos Estados Unidos. Mas, depois de ter sua origem caucasiana exposta e ter sido considerada enganadora e mentirosa, foi forçada a renunciar.


Diante disso, Dolezal declarou-se “transracial”, alegando que “a ideia de raça é uma mentira, então, como você pode mentir sobre uma mentira?” (ser negra) É uma representação real do que eu sou e no que acredito... Não me apresentar como negra parecia uma traição à comunidade a quem represento.”

E o que dizer das pessoas trans-idade? O termo vem do inglês trans-aged, ou seja, pessoas que não sentem que têm a idade cronológica que seus anos de vida indicam. Deve acontecer alguma “matemágica” que faz com que a contagem da idade seja diferente... Os casos mais conhecidos são de adultos que se reconhecem como crianças e dormem em berços gigantes, contratam babá, comem papinha, usam chupeta, brincam o dia todo e por aí vai. Já pensou se o coleguinha do jardim da infância do seu filho for um trans-idade de 45 anos?


É a implantação da cultura do absurdo em nome de um pseudo respeito à diversidade. Será que vamos ser obrigados a considerar todo tipo de “sentimento” como verdade?

Se um aluno “sente” que 2 mais 2 são 5, o professor vai ter de aceitar? Se alguém se “sente” psicólogo poderá atender pacientes? E o adolescente que se “sente” adulto poderá comprar bebida alcoólica ainda que tenha 14 anos de idade?

Se aceitarmos essas ideologias absurdas como normais, estaremos vivendo como previu o pensador G. K. Chesterton: “Chegará o dia em que teremos que provar ao mundo que a grama é verde.” Ou, quem sabe, teremos de aceitar que a grama pode ser azul ou rosa quando alguém sentir que é...

Patricia Lages

É jornalista internacional, tendo atuado na Argentina, Inglaterra e Israel. É autora de cinco best-sellers de finanças e empreendedorismo, palestrante e conferencista do evento “Success, the only choice” na Universidade Harvard. Apresenta quadros de economia na TV Gazeta e RecordTV e é facilitadora do programa mundial WomenWill – Cresça com o Google.

Os textos aqui publicados não refletem necessariamente a opinião do Grupo Record.

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