Logo R7.com
RecordPlus
Notícias R7 – Brasil, mundo, saúde, política, empregos e mais
‌

Análise: Em um mundo “fake”, em que podemos acreditar?

Todos os dias estamos expostos a uma quantidade enorme de informações, o que torna cada vez mais difícil saber o que é verdade e o que não é  

|Do R7

  • Google News

Adicione como fonte preferencial no Google

Opens in new window

Nos últimos dias, um dos assuntos mais comentados é o caso da professora e cientista brasileira Joana D’Arc Felix de Souza e seu falso diploma de pós-graduação em Harvard. Este não é o primeiro caso de superlativação de currículo e, provavelmente, não será o último. Mas a questão agora é que, com as redes sociais, as notícias podem viralizar e atingir proporções enormes, quer seja para o bem, quer seja para o mal.

A exposição levou a cientista do céu ao inferno, pois sua história de superação – cotada até mesmo para virar filme – acabou caindo em descrédito. Mas a análise de hoje não tem o objetivo de julgar Joana D’Arc ou tentar esclarecer a história. Minha proposta é refletir sobre o quanto estamos expostos à falsidade e se, porventura, acabamos fazendo parte dela consciente ou inconscientemente.

‌

A desonestidade, a trapaça e diversos tipos de manobras enganadoras estão por todos os lados, em maior ou menor escala, se é que podemos mensurar. Desde a propaganda de detergente que mostra alguém lavando uma pilha de pratos apenas com uma gota de produto, até tentativas de extorsão, como cobranças falsas, enviadas aleatoriamente por e-mail ou de forma direcionada pelos correios. Algumas, de tão banais que são, nem causam mais indignação na maioria das pessoas, como a propaganda irreal do detergente. Já outras, nos fazem desacreditar da humanidade, como campanhas para custear tratamento médico de pessoas que nem sequer existem.

A história da cientista Joana D'Arc caiu no descrédito
A história da cientista Joana D'Arc caiu no descrédito

Porém, qualquer que seja a nossa reação, inertes ou descrentes, todos estamos navegando em um barco que parece seguro, mas que pode estar cheio de buracos. Nele, há pessoas que nem sequer consideram a existência de tais buracos, outras que os procuram (ou os fazem) apenas para criar alarde e serem considerados os “defensores dos passageiros” e outras que, assim que os encontram, os tapam e incentivam os outros a fazerem o mesmo.

‌

Trabalhando no mundo virtual há alguns anos, minha conclusão é que há muita gente que acha “menos errado” mentir, trapacear e até caluniar nas redes, afinal, nem é um “mundo de verdade”, não é mesmo? Porém, esse tipo de pensamento tem elevado a uma potência inimaginável a nossa exposição à mentira, ao ódio e ao assassinato de reputações.

Vivermos como se tudo fosse verdade, crendo 100% no que ouvimos é, no mínimo, ingenuidade demais para os tempos em que vivemos. Apontar erros, julgar, mas fazer o mesmo (em maior ou menor proporção) só mostra o quanto nossa sociedade é hipócrita. Quantos não são os que chamam os políticos de ladrões, mas levam material de escritório para casa, pois “ninguém vai sentir falta”?

‌

Precisamos tapar os buracos que encontramos no barco, começando pelos nossos, pois, apesar de todos os avanços do mundo moderno, ainda não inventaram nada mais precioso do que a verdade.

Patricia Lages

É jornalista internacional, tendo atuado na Argentina, Inglaterra e Israel. É autora de cinco best-sellers de finanças e empreendedorismo, palestrante e conferencista do evento “Success, the only choice” na Universidade Harvard. Apresenta quadros de economia na TV Gazeta e Record TV e é facilitadora da RME para o programa mundial WomenWill – Cresça com o Google.

Os textos aqui publicados não refletem necessariamente a opinião do Grupo Record.

Siga R7 no Google e fique por dentro de tudo que acontece

Seguir no Google

Últimas

    ‌

    Utilizamos cookies e tecnologia para aprimorar sua experiência de navegação de acordo com oAviso de Privacidade.