Análise: O que faz as melhores empresas demitirem?
A crise econômica e o corte de custos são citados na maioria das vezes pelos ex-funcionários como causa de suas demissões. Mas seriam essas as razões?
A crise econômica e o corte de custos não são as principais causas de demissão entre as companhias listadas no ranking “As 150 Melhores Empresas para Trabalhar”. Esse é o resultado de um levantamento feito pela revista Você S/A em parceria com a Fundação Instituto de Administração (FIA).
Segundo o relatório, essas empresas nunca se utilizam de processos demissionais aleatórios, além de prezarem pela meritocracia. Portanto, embora alguns movimentos queiram empurrar a ideia de que a meritocracia é injusta e aumenta as desigualdades, na hora da verdade é ela que conta. Aliás, parece muito bonitinho defender a ideia de que o justo seja exigir menos de quem teve menos oportunidades, porém, na hora em que esses mesmos defensores ficam doentes, obviamente não querem se submeter a um médico de quem se exigiu menos. Mas esse é assunto para outra análise.

O estudo aponta que 87% das demissões têm como causa o desempenho insatisfatório do funcionário, enquanto 42% se dão por discordância de valores e objetivos entre empresa e funcionário e 33% por corte de custos. Ou seja, na prática a teoria é outra! As empresas podem até contratar um funcionário que apresente um currículo rebuscado e uma série de diplomas no processo de seleção, mas se ele não for bom de fato, não vai conseguir se manter no emprego.
Participo de vários congressos e eventos que promovem palestras e o que mais vejo são profissionais cheios de certificações, mas que, em 30 minutos de apresentação conseguem desconstruir suas próprias qualificações. Foi triste ver, por exemplo, um coach – expert em comunicação de impacto – gritando no microfone para as pessoas prestarem atenção à sua fala cheia de jargões, acompanhada por slides monótonos carregados de texto que ele mesmo pulava dizendo “esse aqui tem muita coisa, não dá para explicar” e “esse não é relevante”. Sou testemunha de que foi mesmo altamente impactante, pena que atingiu o alvo errado...
Por causa disso é que hoje em dia os diplomas têm sido considerados meras formalidades também para grandes empresas uma vez que, para as médias e pequenas, já não são levados em conta há muito tempo, pois para quem não pode ter tantos colaboradores, o que realmente conta é a performance de cada um.
Portanto, mais do que nunca a meritocracia é o que define quem fica e quem sai e separa quem realmente tem valor daqueles que apenas dizem ter. Particularmente acredito que essa seja a forma mais justa, pois dá oportunidade a todos, mesmo àqueles que não tiveram acesso às melhores universidades. Ser diligente e estar disposto a aprender na prática continua sendo o melhor caminho. E assim o ditado se confirma: quem sabe faz, quem não sabe fazer, critica.
Patricia Lages
É jornalista internacional, tendo atuado na Argentina, Inglaterra e Israel. É autora de cinco best-sellers de finanças e empreendedorismo e do blog Bolsa Blindada. Ministra cursos e palestras, tendo se apresentado no evento “Success, the only choice” na Universidade Harvard (2014). Na TV, apresenta os quadros "Economia doméstica" no programa "Mulheres" TV Gazeta e "Economia a Dois" na Escola do Amor, Record TV. No YouTube mantém o canal "Patrícia Lages - Dicas de Economia", com vídeos todas as segundas e quartas.
