Após conclusão de inquérito, SSP afirma que mortos no Cabula integravam quadrilha de traficantes
Diretor do DHPP apresentou áudios que comprovaram envolvimento do grupo com tráfico
Bahia|Do R7

Após a conclusão do inquérito policial referente à ação da Polícia Militar realizada no Cabula, a SSP (Secretaria de Segurança Pública) afirmou que os 12 mortos no confronto são traficantes que pertencem a uma quadrilha da Engomadeira. O grupo seria liderado pelo bandido conhecido como Márcio Barraco e seu comparsa Maurício Cavalcanti, ambos com mandado de prisão em aberto. Eles comandavam um ponto de venda de drogas na região da Estrada das Barreiras e já eram investigados pelo Departamento de Narcóticos da Polícia Civil.
O diretor do DHPP (Departamento de Homicídio e Proteção à Pessoa), delegado José Bezerra, responsável pela investigação, apresentou áudios – obtidos através de escuta telefônica – de envolvidos com o tráfico na Estrada das Barreiras. No material, extraído mediante autorização judicial, traficantes garantem o custeamento dos enterros dos envolvidos no confronto com a polícia. Ainda na escuta telefônica, os bandidos também lamentavam a perda dos comparsas na ação policial. Em outra ligação, eles relatam a intenção em realizar ataques a bancos.
O resultado das investigações, que apontou que os policiais da Rondesp (Rondas Especiais) agiram em legítima defesa, foi apresentado na tarde desta sexta-feira (3), em coletiva realizada no auditório da SSP. O documento, que possui 2.512 páginas distribuídas em 11 volumes, já foi encaminhado ao Poder Judiciário.
De acordo com inquérito, produzido pelo DHPP, os laudos cadavéricos não atestaram lesões típicas de tiro de encosto ou disparo à curta distância, o que não caracteriza lesões típicas de execução. Outro aspecto que reforça a conclusão de que não houve execução é a ação de socorro realizada pelos policiais militares aos feridos, que foram conduzidos para o Hospital Roberto Santos, a unidade de saúde mais próxima do local.
A perícia realizada pelo DPT (Departamento de Polícia Técnica) constatou ainda que os policias utilizaram 16% da munição que tinham, 143 disparos das 870 munições disponíveis. Também ficou registrado que foram efetuados 57 tiros das armas apreendidas sob posse dos suspeitos.
Durante a investigação, foram produzidos 59 laudos periciais e mais de 80 pessoas foram ouvidas, incluindo moradores da localidade. Por fim, a Polícia Civil chegou à conclusão de que a ocorrência foi um confronto, sem qualquer evidência de ação abusiva da PM.
Com base em uma investigação paralela, o MP-BA (Ministério Público da Bahia) encaminhou uma denúncia à Justiça,que foi aceita parcialmene. Além disso, na ocasião, foram pedidas as prisões preventivas dos nove policiais envolvidos.
Relembre o caso: Durante ação policial no dia 6 de fevereiro, em um terreno baldio localizado na Travessa Florestal, Vila Moisés, no bairro do Cabula, em Salvador, 12 pessoas morreram e um sargento da PM (Polícia Militar) foi ferido de raspão na cabeça. O MP-BA chegou a classificar a atuação da Rondesp como execução sumária, porém, a versão da PM é de que houve confronto quando cerca de 30 pessoas atiraram contra os policiais.
Experimente grátis: todos os programas da Record na íntegra no R7 Play














