Bahia lidera denúncias de violência sexual contra crianças e adolescentes
Promotora diz que a maior parte dos agressores está dentro da família
Bahia|Do R7*
Em 2012, a Bahia ocupou o primeiro lugar no ranking nacional de denúncias anônimas de violência sexual, com 4.480 casos. O número ultrapassa o de outros Estados, como São Paulo (3.749) e Rio de Janeiro (3.514).
As maiores vítimas de violência sexual são crianças e adolescentes do sexo feminino. Segundo dados da Secretaria de Direitos Humanos (SDH), o número de denúncias para este gênero saltou de 92.286, em 2011, para 167.822 em 2012.
O Estado ainda lidera a triste estatística de denúncias sobre maus-tratos envolvendo crianças e adolescentes, com 1.588 casos.
Segundo a Promotora de Justiça Eliana Bloizi, Coordenadora do Centro de Apoio Operacional da Criança e do Adolescente (Caoca), a maior parte dos agressores sexuais está dentro da própria família.
Dados do Disque-Denúncia, o Disque 100, revelam que 31% dos casos de violência sexual contra crianças e adolescentes são praticadas por pais ou responsáveis, principalmente padrastos. O número de registros oscila entre 14% para pais, e 16% para padrastos. Os casos que envolvem avós, tios, irmãos mais velhos e vizinhos também são muito comuns.
Os abusos acontecem principalmente no ambiente familiar das crianças e adolescentes. Segundo ocorrências registradas pelo Disque 100, o número de denúncias chega a 14.107, e em menos da metade dos casos, 9.870, a violência sexual acontece na casa do suspeito.
A promotora ressalta que os agressores estão afetivamente vinculados às vítimas. Ainda segundo Eliana, a criança começa a se sentir culpada, porque é um abalo para toda família.
Adolescentes com idades entre 12 e 14 anos, de acordo com a pesquisa, são mais vulneráveis à violência sexual, considerando os dados de 2011 e 2012. Com 11.643 denúncias, as crianças e adolescentes de cor parda são apontadas pelo levantamento da SDH como as maiores vítimas de abusos, seguida da cor branca, 5.223 e da cor negra, 3.529.
Turismo
Segundo Eliana, os casos de exploração sexual não estão na maior parte das denúncias relacionados à violência. Ela explica que meninas se envolvem com turistas, principalmente estrangeiros, e acabam sendo exploradas de alguma forma.
Para a coordenadora do Caoca, os pais precisam ficar atentos a qualquer mudança no comportamento dos filhos. Alguns sinais são muito simples, como o uso de roupas muito curtas, o fato de os adolescentes se arrumarem demais, ou até mesmo voltarem para casa com presentes caros, como celulares, que estejam fora da possibilidade da própria família de custear.
De acordo com a promotora, os casos de exploração sexual envolvendo crianças e adolescentes são mais comuns nas regiões do Porto e na Ceasa de Simões Filho, na Região Metropolitana de Salvador, onde meninas fazem programas com caminhoneiros.
Apesar do alto índice de denúncias de exploração sexual, os números diminuíram de 1.076 em 2011, para 906 em 2012. Segundo Eliana, ações de conscientização e repressão envolvendo a polícia são realizadas durante todo o ano, principalmente no verão, para diminuir estes casos.
*Colaborou Thais Ribeiro, estagiária do R7 BA











