Candidato à Presidência da República pelo PSTU, Zé Maria apresenta propostas
Em entrevista, candidato fala sobre ideias na luta pela presidência
Bahia|Do R7

O candidato à Presidência da República pelo PSTU (Partido Socialista dos Trabalhadores Unificado), o metalúrgico Zé Maria falou sobre suas propostas de governo e metas em entrevista à Record Bahia. O presidenciável começou a militar no movimento operário desde os anos 70 e atuou no sindicato dos metalúrgicos de Santo André, no ACB Paulista. Ele é Presidente Nacional do PSTU, da Executiva Nacional da Central Sindical e Popular Conlutas.
1. Por que o Zé Maria, candidato do PSTU, quer ser o presidente da república?
Zé Maria: Para mudar o Brasil. Nós achamos que o nosso País é muito rico, tem muitos recursos. E, infelizmente, a ampla maioria do povo vive em situação muito precária, sujeita a toda forma de violência, de opressão, de exploração. Mudar o Brasil implica em você constituir um governo da classe trabalhadora que inverta as prioridades, que sempre primaram os governos do nosso País. É preciso romper com os banqueiros, com as empreiteiras, com as grandes empresas que sempre dominaram e, lamentavelmente no governo do PT, continuam a dominar o País. O nosso país tem plenas condições de assegurar saúde pública, educação pública, moradia, transporte coletivo, salário digno, emprego para todos. No entanto não o faz, porque a riqueza produzida pelo trabalho do povo e os recursos naturais acabam canalizados pelo banqueiro, dono da empresa de agronegócio, para empreiteira. É dessa forma que funciona o Brasil. Para mudar é preciso parar de pagar a dívida pública para os bancos. Na verdade, o Brasil gasta 40% do orçamento público, todo ano, com os banqueiros e o sistema financeiro internacional. É preciso parar o processo de privatização, de entrega dos recursos naturais do nosso País para o capital privado, como está sendo feito com o petróleo, parar de privilegiar as grandes empresas e, se nós fizermos isso, nós vamos ter recursos pra atender aquilo que são as reclamações, as reivindicações. Seja aquelas que a juventude apresentou nas ruas, nas mobilizações de junho do ano passado, seja as reivindicações que os trabalhadores estão apresentando neste momento com as greves, que estão sacudindo o País. Então, é pra mudar o Brasil que nós estamos apresentando uma candidatura.
2. Qual a sua proposta para poder solucionar ou minimizar o impacto da violência no Brasil?
Z.M.: Duas coisas eu acho fundamental. Primeiro: se o nosso país usa os recursos que têm para prover toda população- emprego, salário digno, serviço público de qualidade para todos, moradia, condições dignas de vida- a começar pela nossa juventude, nós damos um passo fundamental para superar o problema da violência que o País vive. E a outra é mudar a política, porque o Estado tem enfrentado o problema das drogas e do crime organizado. O Brasil tem que parar de fazer balanço. Há anos se aplica uma política do aumento do policiamento, do aumento da penalização dos crimes relacionados às drogas e o crime relacionado a droga só aumenta. Nós temos uma parte da população maior, que hoje é dependente da droga, e o crescimento da violência, que afeta os criminosos, mas afeta também a população que não tem nada a ver com isso. O problema da droga é um problema de saúde pública. É dessa forma que o Estado tem que encarar. Eu acho muito melhor legalizar a droga, de forma que o Estado controle a sua utilização e trate o viciado como problema de saúde pública, dando assistência, apoio do Estado para que ele possa deixar o vício. Nós acabamos como a violência relacionada ao tráfico de drogas, nós acabamos com a construção dessas organizações enormes. Eu acho que a gente acaba com o problema da violência, acaba com o poder econômico do crime organizado, do tráfico de drogas, e da um tratamento humano para as pessoas que por uma razão ou por outra caíram vítimas da dependência das drogas.
3. Você é a favor da liberação das drogas?
Z.M.: Eu acho que deve ser legalizado o uso das drogas, descriminalizado o uso das drogas. A droga deveria ser controlada pelo estado para que o viciado, aquela pessoa que fosse dependente, recebesse do Estado junto como o tratamento médico pra que ele pudesse deixar a dependência, deixar o vício. Essa medida é fundamental. E tem que ter apoio do Estado para que essas pessoas deixem o vício.
4. Quais seriam os planos do PSTU para educação na Presidência da República?
Z.M.: O Brasil precisa investir muito mais do que investe em educação. Hoje é alguma coisa em torno de 3% do PIB (Produto Interno Bruto). E uma país como o nosso, que tem uma população em idade educacional que passa de 30% da população, exigiria pelos menos 10 a 15% do PIB aplicado em educação. Então, começa por aí o nosso problema. 43% do orçamento da União, em média, é utilizado para pagar dívida pública externa e interna para os banqueiros e para o sistema financeiro, 3% vem para educação. Nós temos que inverter essa prioridade e garantir investimento para que o País possa oferecer desde a pré-escola, quando a criança precisa de uma creche, o ensino fundamental, o ensino médio, e o ensino superior para todos os jovens. Quando o Brasil oferecer um ensino de qualidade para todos, metade do problema de violência que nós estamos enfrentando hoje vão acabar. Porque o ensino tem que ser tomado como uma coisa global, não só a educação básica e fundamental. O ensino tem que ser tomado de forma mais ampla. As pessoas têm que ter acesso a lazer, a prática esportiva. Envolver os jovens em uma atividade de seja produtiva e seja positiva para ele.
5. O brasileiro precisa de um acesso melhor à saúde. O que tem na proposta do senhor?
Z.M.: Está na constituição brasileira, é direito do cidadão e dever do Estado, assim como o transporte coletivo. No entanto, nesses dias, nós estamos vendo uma expressão de como é que o governo do Brasil trata essa questão. O governo da presidenta Dilma, os governos estaduais e as prefeituras gastaram cerca de R$ 35 bilhões com as obras relacionadas à Copa do Mundo. Enquanto isso, os hospitais públicos estão caindo aos pedaços, a educação pública está esse caos. Então, o que ocorre no Brasil? É que o recurso que deveria ser investido naquilo que é necessário para a população é investido em coisas que são necessárias para aumentar os lucros dos empreiteiros. Nós não somos contra a Copa do Mundo. As pessoas estão torcendo pelo Brasil, eu estou torcendo pelo Brasil. Mas em um país como nosso, era preciso gastar R$ 1,5 bilhão no Maracanã para que os gringos pudessem assistir ao jogo? Será que os gringos não podiam sentar na mesma arquibancada que o povo brasileiro sempre sentou pra assistir? Em uma cidade como São Paulo, que tem três estádios, tem que construir mais um? Então, isso não foi construído para que houvesse a Copa. Isso foi construído para que as empreiteiras tivessem lucro, pra que depois as empreiteiras na campanha eleitoral que nós vamos ver agora financie os candidatos.
6. Quais as suas considerações finais?
Z.M.: Quero chamar os trabalhadores, as trabalhadoras, os jovens a refletirem esse processo eleitoral. Nós vivemos todas essas dificuldades no nosso dia a dia, no nosso País e nós já ouvimos nas eleições passadas as propostas que vocês vão ouvir de novo dos candidatos dos partidos majoritários do País. Reflitam se vale a pena votar neles de novo ou se vale a pena somar a nós em uma luta para transformar o País.













