Estudante está há 4 meses com febre Chikungunya e à base de remédios na Bahia
Jovem disse que vai precisar fazer fisioterapia e adquiriu a Síndrome de Renault
Bahia|Do R7

A estudante de enfermagem, Márcia Teles, já não sabe o que fazer para amenizar as dores que sente pelo corpo devido à febre Chikungunya. Há quatro meses, a jovem, a mãe e a irmã, que moram em Feira de Santana, município com maior número de casos da doença no País, sofrem com dores fortes nas articulações.
— As dores são tremendas, são terríveis.
Apesar de apresentar sintomas desde julho, a doença só foi confirmada há 15 dias após exames de laboratório. Márcia conta que ia para a emergência e os médicos só passavam hemograma, nunca pediram sorologia de dengue. Vendo que várias pessoas tinham os mesmos sintomas e que os médicos não descobriam as causas, a estudante de enfermagem e a irmã resolveram pesquisar por conta própria.
— Eu e minha irmã começamos a pesquisar, a gente ia à clínica e passavam hemograma e não dava nada, a gente viu que tinha alguma coisa anormal, todo mundo inchado, pintadinho e travado, sem poder levantar, sem poder andar.
Feira de Santana já tem 156 casos confirmados da febre Chikungunya
Márcia descobriu que os sintomas eram parecidos com dois casos de vítimas da febre no Amapá. Ela, então, divulgou nas redes sociais que o bairro George Américo, onde morava, estava com uma epidemia da febre Chikungunya e que a Secretaria de Saúde de Feira de Santana estava fechando os olhos e nada estava sendo feito. Dois dias depois, a Sesab (Secretaria de Saúde do Estado da Bahia) confirmou cinco casos da febre no município.
— Quando a gente começou a pesquisar e viu que tinha pessoas que passavam anos com o vírus e precisavam fazer fisioterapia e acompanhamento, pois atrofiava mesmo, a gente entrou em pânico.
A jovem chama atenção para a gravidade da doença. Ela disse que vai precisar fazer fisioterapia, pois tem dias que os dedos da mão não fecham. De acordo com a estudante, ela adquiriu a Síndrome de Renault por causa do vírus, e que fica com as mãos e pés frios e roxos.
Riachão do Jacuípe é a segunda cidade da Bahia com casos de Chikungunya confirmados
Após quatro meses com os sintomas, a estudante ainda não consegue levar a vida normalmente. Ela afirma que está à base de remédios fortes: analgésicos e medicamentos com corticoides.
— Não consigo fazer minhas coisas normais, só vou para a faculdade quando tomo remédio e são todos fortes, à base de corticoide. Tem pessoa que melhora uma semana depois volta a piorar.
Márcia disse que quatro pessoas que já tinham doenças pré-existentes morreram no município, devido ao agravamento do quadro médico causado pela febre. Já o Ministério da Saúde não divulgou casos de óbito por causa da doença e afirma que a taxa de mortalidade é muito baixa.
A jovem conta que um amigo do seu pai e vizinho, que mora na África, foi visitar a família em julho e ficou doente. Após melhorar, ele foi à casa dos pais dela para uma visita e no outro dia toda a família estava com os sintomas da doença. A jovem acha que um mosquito poderia ter picado o vizinho em sua casa e transmitido o vírus para os familiares.















