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"Eu não tenho espírito narcisista de olhar pro espelho e dizer: sou melhor de todos", alfineta Otto Alencar

Vice-governador fez duras críticas a um de seus adversários na disputa, Geddel Vieira

Bahia|Do R7

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Otto Alencar (PSD) falou sobre os seus planos caso vença a disputa a uma vaga no senado
Otto Alencar (PSD) falou sobre os seus planos caso vença a disputa a uma vaga no senado

O pré-candidato ao senado federal, Otto Alencar (PSD), falou sobre os seus planos caso vença a disputa a uma vaga no senado. Durante a entrevista, o vice-governador não escondeu seu passado político ao lado do senador Antônio Carlos Magalhães e aproveitou a oportunidade para fazer duras críticas a um de seus adversários na disputa, Geddel Vieira Lima, a quem chamou de “narcisista”.

Leia a entrevista:


R7 Bahia- O senhor nunca nega esse início aonde o senhor sempre pertenceu a uma parte dessa política brasileira de direita e hoje compondo uma parte dessa de esquerda. Precisa estar sempre fazendo esse registro?

Otto Alenar-Eu tenho muito orgulho de ter participado, durante 19 anos, do grupo do senador Antônio Carlos Magalhães. Ele foi um político competente, eficiente, trabalhador, realizador. Trabalhei 19 anos com ele e depois saí da política. Passei seis anos fora da política e, em 2010, eu voltei numa aliança com o governador Jaques Wagner. Eu posso dizer a você, que eu conheço a Bahia inteira, de ponta a ponta. E digo a você que eu vi a Bahia crescer muito, pela ação de vários governadores que passaram. Cada um a seu tempo, faz aquilo que é possível fazer. Eu, por exemplo, fui governador em 2002, num período muito curto, substituindo o governador César Borges. Fiz a sucessão, se elegeram todos e depois disso fui para o Tribunal de Contas. Não me adaptei ao Tribunal de Contas e voltei para a política em 2010, com o governador Wagner. E hoje sou o vice-governador do Estado.


R7 BA- Como se pensar nessa ponte tão necessária para o sul do Estado, a ponte do Pontal? Tem previsão de estar fazendo? Como está essa obra?

Otto Alenar- Essa ponte é super importante para Ilhéus, que é um segmento, na verdade, da BA 001. Ela começou, por coincidência, começou a obra agora. Eu mandei fazer um projeto. Eu acompanhei esse projeto de perto. É o primeiro projeto de ponte estaiada na Bahia. Pra desenhar aquele litoral belíssimo, com uma ponte bonita, que posso embelezar mais a cidade de São Jorge dos Ilhéus. Então, começou a obra agora. Essa ponte vai ser construída em torno de 20 a 24 meses, mais ou menos dois anos. Mas a obra já está em andamento. Demorou por que nós tivemos que levar para o IPHAN (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional) deixada a ordem de serviço. A burocracia atrapalhou muito. Mas, o IPHAN exigiu que nós tivéssemos um estudo subaquático. Não é quem está sentado na cadeira do IPHAN, é a legislação que é muito burocrática. Essa ponte era pra ter começado no ano passado, mas demorou por causa de questões ambientais. É uma ponte de 540 metros de extensão, orçada em R$ 180 milhões.


R7 BA-Esse processo que levou a sua pré-candidatura ao senado. O senhor traz uma grande tarja, que é a questão reformista para o congresso. Explique o quê que o senhor pretende com esse apelo de reforma?

OA- Olha, eu sou candidato ao senado desde que sai do Tribunal de Contas. Seria lá em 2010, mas como teve uma articulação para a vinda da possível vinda do ministro César Borges para o grupo, eu terminei sendo vice-governador. Mas, eu sempre coloquei de forma muito segura e muito firme. Em nenhum momento, eu vacilei. Eu não andei dizendo que era candidato a governador pra sair candidato a senador, não houve isso. Eu sou muito direcionado àquilo que eu acho que posso fazer bem feito. E foi uma coisa que eu coloquei na minha cabeça, desde muito tempo, que queria ser candidato ao senado, pra lutar pelas reformas. As principais reformas que o Brasil precisa: acabar com a impunidade, que é a reforma do Código Penal. Já tem muita coisa em andamento para modificar o Código Penal, mas ele precisa ser aprovado urgentemente. Ou se acaba com a impunidade no Brasil, em todos os níveis, do crime do colarinho branco ao crime do cidadão comum.


R7 BA- O senhor defende a redução da maior idade penal?

OA- Eu defendo o seguinte: se o menor é reincidente no crime, o crime que ele comete é hediondo, ele é chefe de quadrilha, ele faz isso por profissão, por hábito de fazer, ele tem que sofre a penalidade como sofre o adulto. Agora, claro, que aquele que comete um crime de menor monta, que vai furtar pra comer, que leva pra sua mãe por que tem um problema de menor monta, que não tem um instinto ruim de querer matar, tirar a vida das pessoas... que é uma coisa que eu não tolero.

R7 BA- Uma vez eleito, o que o senhor fará pelo povo baiano, que tem tantos anseios? O seu adversário (Geddel) afirmou que ninguém conhece o senado federal, Brasília, como ele.

OA - Pois é, ele passou 16 anos, realmente, como deputado... num sei... 12 anos... Eu acho que até é uma forma de se colocar num nível superior aos outros candidatos. É uma manifestação de complexo de superioridade, eu sou melhor do que todos. Eu não vou por aí. Eu sou uma pessoa firme, segura, conheço bem Brasília, mas não vou desqualificar nenhum adversário. Eu não tenho espírito narcisista de olhar para o espelho e dizer: sou melhor de todos, sou o mais importante de todos, só eu sei fazer isso, não. Eu tenho humildade, firmeza e conhecimento de Brasília. Vou sempre a Brasília, conheço o Congresso Nacional, conheço o senado federal, convivi com muito deputados federais lá em Brasília, convivo sempre com ministros, convivi com presidentes da república, com Fernando Henrique, com Lula, com a Dilma, mas não vou ter a arrogância de dizer que só eu posso fazer melhor que os outros.

R7 BA-Eleito pelo povo baiano, o senhor vai buscar em primeira mão essa questão da reforma. Mas, a gente também trata da questão de segurança a nível local. O senhor defende muito, até de forma bairrista, essa questão do orçamento, que está muito concentrado a nível federal na mão da União.

OA- A reforma tributária serve para o Brasil inteiro. E é preciso fazer a reforma tributária, por que os Estados e municípios estão com a cuia na mão. É uma romaria a Brasília pra pedir dinheiro nos ministérios e também no governo federal. Eu vou dar um dado que acho superinteressante: no ano passado, o governo federal arrecadou de impostos e contribuições R$ 1 trilhão e 110 bilhões. Isso foi que o impostômetro de São Paulo, da Associação Comercial de São Paulo, colocou lá. Pois bem, 70% dessa arrecadação fica com o governo federal, 30% pra estados e municípios. Então, os municípios e os Estados ficam nessa romaria para Brasília atrás de recursos pra fazer uma creche, um posto de saúde, pra fazer uma UPA (Unidade de Pronto Atendimento), para fazer uma escola. É importante fazer a reforma tributária para que os Estados e municípios possam participar da divisão do bolo. E aí nesse R$ 1 trilhão e 110 bilhões, 52% (correspondem a) impostos, 48% contribuições. Os estados e municípios só entram na divisão dos impostos. Não entram na divisão das contribuições: PIS (Programa de Integração Social), CONFINS (Contribuição para Financiamento da Seguridade Social) e outros. Esses 48% fica só para o governo federal. O PIS e CONFIS são recolhidos aonde? Nos estados e nos municípios. Então, tem que ter uma participação dos estados e dos municípios no PIS e COFINS também para ter uma receita maior.

R7 BA - Numa mudança de cenário aonde a oposição venha a ganhar, qual será o seu comportamento? 

OA-Primeiro, eu acho que vamos ganhar juntos. Tanto eu quanto o Rui (Costa). Voto vem de devoto, vem de crença, fé. Eu acredito e confio muito no potencial, na força do nosso grupo todo, na força e na capacidade do nosso candidato, que é o Rui Costa. Não há a menor dúvida disso. A minha expectativa, a aminha crença, a minha confiança é que nós vamos ganhar as eleições pra o governo, para o senado e fazer uma grande bancada para deputado federal e deputado estadual, como foi no ano de 2010. Com foi no ano de 2010? Eu e Wagner ganhos no primeiro turno com 64% dos votos. Enfrentamos quem? Geddel (PMDB), candidato a governador, e o Souto no Democratas, candidato a governador. Eles perderam separados e agora se uniram. Eu creio que nas eleições de 2014 vai, mais ou menos, a mesma equação. Juntos ou separados, acho que vão somar o mesmo potencial de votos.

Eu convivo bem com toda classe política, por que não sou de querer desqualificar, deslustrar a imagem de absolutamente nenhum candidato concorrente. E não vou fazer isso na campanha. Quando eu saio da minha casa, pela manhã, a minha primeira oração é de pedir a Deus que eu não venha, de maneira nenhuma, desqualificar qualquer candidato ou querer atingir a honra ou a dignidade de quem quer que seja. Todos nós temos família e nós temos que respeitar os outros, para sermos respeitados. Eu posso conviver bem com outro adversário, como sempre convivi. Claro, se você é provocado, você tem que responder de acordo com a provocação.

R7 BA - Qual avaliação o senhor faz do nosso país atualmente?

OA-Agora, quanto a análise do que está passando no Brasil, a situação hoje é bem melhor. Eu vi Antônio Carlos Magalhães lutar com Fernando Henrique, com os “Tucanos”, para levar o salário mínimo a U$ 100. Eles nunca permitiram. Entrou o Lula e o pós-Lula, agora com Dilma. Quanto é que está o salário mínimo? U$ 320. Quanto é que tá o dólar? U$ 2.20. Quanto é que tá a inflação? 5.8. Quanto é que tá o nível de desemprego? 6%. Era 14% lá atrás. Não há como querer dizer que foi inútil a presença de Lula no governo. Os burgueses, a aristocracia que desqualificar de todo jeito o Lula. Não há como desqualificar o Lula.

R7 BA - Por que o senhor é a melhor opção para o senado federal?

OA-Talvez, pela minha história, pela minha carreira política. Eu tenho trabalhado muito. Eu venho de médico, eu venho de homem do interior, filho de um trabalhador rural, estudei num colégio público em Ruy Barbosa até o ginásio, vim para Salvador, estudei na UFBA (Universidade Federal da Bahia), me formei em médico. Tenho uma ligação muito forte com a população... Medicina cuida de gente, eu gosto de cuidar de gente. Eu não tenho vocação para ser presidente de um banco de negócio, eu não tenho vocação para ser um grande empresário. Minha vocação é trabalhar com as pessoas, sempre foi assim. Esse é meu sentimento, de trabalhar e ajudar as pessoas.

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