“Governador age de forma omissa a todos esses problemas”, diz deputado Elmar Nascimento
Político disse que se cargo de chefia não funciona, os funcionários não vão funcionar
Bahia|Do R7

O Deputado Estadual Elmar Nascimento (DEM), líder da oposição na Assembleia Legislativa, concedeu entrevista ao R7 Bahia e avaliou o governo de Jaques Wagner. Segundo o advogado, o governo não tem programa para educação, saúde e os índices de violência alcançaram tetos altíssimos. Nascimento disse ainda que o governador age de forma omissa a todos esses problemas.
Durante a entrevista o deputado destacou também a questão do pagamento da URV (Unidade Real de Valor) dos servidores públicos do Estado, compromisso firmado em campanha eleitoral que até o momento não foi pago, nem negociado com a categoria.
Leia a entrevista:
R7 Bahia: Como o senhor avalia a gestão do governador Jaques Wagner?
Elmar Nascimento: Governo péssimo, governo que quebrou o Estado, que faliu. Qualquer gestor que se preze em um Estado moderno tem que contrabalancear a arrecadação com o custeio, com a despesa, infelizmente esse é um governo que gasta de forma perdulária, é um governo que não tem nenhum programa para educação, e para a saúde. Com os índices de violência alcançando tetos altíssimos, o governador age de forma omissa a tal acontecimento.
R7 Bahia: Falando em violência, há pouco tempo a SSP-BA (Secretaria de Segurança Pública) enviou nota à imprensa falando sobre a redução de homicídios em Salvador, região metropolitana e na Bahia como um todo. Como o senhor avalia essas informações?
Nascimento: Eles jogam com os números. Se você for comparar os números com o primeiro ano do governo de Jaques Wagner, no ano de 2007 até hoje, há um aumento de quase 300% nos índices de violência. Pernambuco teve redução de quase 200% de violência, porque o governador investe, porque não se faz segurança pública sem investimento, precisa haver prioridade.
R7 Bahia: Esta semana, a Record Bahia mostrou o caso de uma mulher que deu à luz em frente a UPA (Unidade de Pronto Atendimento) de Periperi. Como o senhor avalia a questão da saúde na Bahia?
Nascimento: Falta de prioridade e investimento. Isso são fatos corriqueiros que acontecem em UPAS e hospitais públicos da saúde no Estado.
R7 Bahia: Quanto às obras inacabadas, e em atraso a quem o senhor deve a essa situação?
Nascimento: O Tribunal de Contas do Estado infelizmente é carinhoso com governador. Ele burla a lei de responsabilidade fiscal, ao invés de separar por fonte de despesas os investimentos do Estado, ele bota tudo em um caixa único, ele pega recursos que tomou de empréstimos, com autorização nossa, da Assembleia Legislativa, e com finalidade específica para execução de obras, e com recursos que conseguiu de convênios com o Governo Federal, para execução de outras obras com finalidade específica e utiliza para pagar o custeio do buraco que ele causou.
Obras que eram para ser tocadas, com recursos específicos para ela, não puderam ser tocadas porque está tudo em um caixa único e o dinheiro foi utilizado. Nós denunciamos isso, e o secretário, disse simplesmente que é mais barato fazer um empréstimo interno, que não tinha juros do que fazer captação de recursos em bancos que pagaria juros, ai então sacrifica o andamento das obras.
R7 Bahia: Então o que existe é um problema de gestão?
Nascimento: Um governo que se preze, não pode mudar quatro vezes o Secretário de Planejamento, que é quem pensa para o governo, para médio, e longo prazo, é um sujeito que inicia o governo, e termina o governo junto com o governador. Bem como o secretário da Fazenda, que foi mudado três vezes. Ai já mostra que o que tem que ser mudado é o governador. O problema que nós temos não está nos secretários, e sim no governador. Se o cargo de chefia não funciona, os funcionários não vão funcionar corretamente.
R7 Bahia: O senhor disse que a Arena Fonte Nova foi o estádio mais caro da Copa do mundo 2014. Isso é verdade?
Nascimento: É um escândalo, o maior assalto aos cofres públicos da história. O governo tomou o dinheiro emprestado em seu nome, o governo é o devedor do Banco do Nordeste, que emprestou parte do dinheiro, e o BNDES (Banco Nacional do Desenvolvimento) que emprestou a maior parte. O governo fez uma parceria com o banco privado e transferiu os recursos a juros de 6%, para as empresas para construir e vai pagar ano a ano esse empréstimo que foi tomado.
Se o governo tomou em seu nome, porque ao invés de uma parceria público- privada, que a empresa só entrou com a parte boa, simplesmente não licitou a obra pelo menor preço, para realizar pela empreiteira que participasse e desse o menor lance ao leilão, já que todo o débito vai ser do governo do Estado?
Se não chegar o lucro que está predeterminado na parceria público-privada, o governo do Estado vai ter que recompensar financeiramente a Arena Fonte Nova, empresa criada para gerir o estádio. O débito é todo do governo não é da empreiteira.
O deputado também participou do Balanço Geral desta quinta-feira (5) e conversou com a apresentador Raimundo Varela.
Assista ao vídeo:















