“Mais do que os pontos na cabeça, estou ferido na alma”, desabafa jornalista agredido por PMs
Jornalista afirma que violência teve início após presenciar amigo sendo agredido por PM
Bahia|Do R7

Um jornalista denuncia ter sido agredido por policiais militares na noite de sábado (4), em Salvador. Marivaldo Filho afirma que a violência teve início após presenciar um amigo sendo agredido por um grupo de PMs.
Marivaldo decidiu relatar os momentos de terror que viveu. O jornalista usou uma rede social para explicar que estava participando do aniversário, no bairro do Bonfim, quando teria presenciado o amigo sendo agredido porque tinha colocado um copo de cerveja em cima do carro de um policial, que estava sem farda.
Revoltado, o jornalista decidiu registrar a confusão e fotografou a viatura ocupada pela guarnição. Marivaldo relata que um policial percebeu ele estava fotografando a viatura e questionou sua atitude, que foi o estopim para o início das agressões.
— Um dos policiais percebeu que fiz o registro e veio me questionar. Gritou e mandou eu apagar a foto. Respondi que não apagaria porque não tinha feito nada de errado. Ele perguntou se eu era advogado do rapaz agredido. Respondi que era jornalista. Foi a senha para o terror começar.
Após a recusa em apagar a foto, o jornalista afirma que foi detido por "desacato e desobediência”. Ele alega que foi violentamente agredido na cabeça e obrigado a desbloquear o celular para apagar o registro.
— Já atordoado, o policial devolveu meu celular para que desbloqueasse e ele pudesse apagar a bendita foto. Por ter tomado muitos socos, não conseguia acertar a minha senha, completamente baqueado com os murros. Insatisfeito por eu não estar conseguindo acertar a senha, o policial pegou um objeto do chão (que acredito que tenha sido uma pedra) e socou com o objeto pontiagudo em minha cabeça, provocando um ferimento que resultou em oito pontos.
Humilhado, agredido e impotente, Marivaldo conseguiu lembrar a senha do celular e a foto foi apagada pelo PM. Ele lembra que foi algemado, agressivamente colocado na viatura e conduzido até a UPA (Unidade de Pronto Atendimento) no bairro de Roma. Ele relembrar que sentiu muita vergonha ao entrar na unidade algemado.
Depois de receber atendimento, o jornalista foi encaminhado à Central de Flagrantes, onde teria permanecido até as 5h20. Ele fez exame de corpo de delito e pretende ir, nesta segunda-feira (6), à Corregedoria.
Mesmo após as agressões sofridas, Marivaldo afirma que, “como comunicador, como cidadão, tenho a obrigação moral de não me calar e cobrar uma posição do Estado e irei tomar todas as medidas judiciais cabíveis. Espero que alcancemos, um dia, um Estado que acolha e não ataque. Mais do que os pontos na cabeça, estou ferido na alma. Destruído. As lágrimas de agora vão me fortalecer para as batalhas que virão. Continuarei lutando. Continuarei sonhando”!
O DCS (Departamento de Comunicação Social) da Polícia Militar afirmou que vai apurar as informações e depois encaminhará nota à imprensa.
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