NYT classifica Salvador como capital dos assassinatos e diz que cidade enfrenta seu lado sombrio
Jornal norte-americano faz contraponto entre crescimento econômico e violência
Bahia|Do R7

A capital baiana ganhou destaque na imprensa internacional no fim de semana, mas não foram as belezas naturais de Salvador que chamaram a atenção. Uma matéria publicada no jornal norte-americano The New York Times, no último domingo (10), mostrou a realidade de uma cidade que está “aprendendo a conviver” com a violência.
A reportagem intitulada — em tradução livre — “A cidade ‘boom’ (referindo-se ao crescimento econômico rápido) brasileira e da beleza eterna enfrenta seu lado sombrio” cita Jorge Amado, que definiu a capital baiana como sendo de “beleza eterna”, e elogia o parque industrial, as torres de luxo e a arquitetura da metrópole. Por outro lado, garante que muitos moradores estão cada vez mais revoltados com a cidade.
Conhecida pela alegria dos moradores e animação, com a maior festa popular do mundo, o Carnaval, Salvador ganhou contornos sombrios, mas bem realistas, e foi apontada como a mais violenta do País, ganhando de São Paulo, a mais populosa do Brasil. “A onda de crime violento transformou Salvador em capital de assassinatos do Brasil”, afirma a reportagem.
A capital baiana ainda tem o trânsito mais caótico e violento da América do Sul, segundo a publicação. O sistema viário da cidade é criticado. De acordo com a reportagem, projetos de rodovias paralisados ou inexistentes, e com vias de paralelepípedos, os motoristas estão ficando cada vez mais agressivos.
O transporte público é tratado como “colapsado”. Para o NYT, o sistema de metrô caro nunca funcionou. O jornal ainda argumenta que as obras projetadas para a Copa do Mundo para melhorar o trânsito não ficaram prontas até o evento.
A matéria relembra alguns crimes que chamam a atenção pela banalidade e crueldade, a exemplo do homem encontrado decapitado em uma estrada próximo ao aeroporto; uma mulher que foi estuprada no bairro da Paz; um italiano que foi espancado até a morte no final de 2010; uma turista brasileira, de 15 anos, morta por uma bala perdida em um tiroteio na Barroquinha; o assassinato do garoto Joel, de 10 anos, morto durante uma ação desastrosa da Polícia Militar e, por fim, o caso da médica que provocou um acidente de trânsito, no bairro de Ondina, que resultou na morte de dois irmãos.
Na tentativa de apontar as causas dessa onde de violência que amedronta os baianos, os governos municipal e estadual apresentaram suas versões. O prefeito de Salvador, ACM Neto, afirmou que a situação é reflexo da má administração de seu antecessor, João Henrique Carneiro. Já o secretário de Comunicação do governo do Estado, Robinson Almeida, fez questão de reforçar seus esforços para combater a violência com ações como o reforço do policiamento, mas alegou que o crescimento econômico aumentou o consumo de drogas que, na maioria dos casos, está atrelado aos crimes.















