Patrimônio cultural, acarajé conquista baianos e turistas
Na língua yorubá, a iguaria significa bola de fogo (acará) e comer (jé), ou seja, comer fogo
Bahia|Karina Oliveira, do R7 BA

Com pimenta, camarão, vatapá e salada. Essa é apenas uma das várias opções de recheio do quitute mais conhecido da culinária baiana, o acarajé. Bolinho feito com o feijão fradinho, cebola, sal, e frito no azeite de dendê, a iguaria é vendida em diversos pontos de Salvador pelas baianas de acarajé.
Originária da área compreendida entre os atuais Benin e Nigéria, o acarajé significa na língua yorubá bola de fogo (acará) e comer (jé), ou seja, comer fogo.
Os tabuleiros, recipientes onde as vendedoras comercializam acarajé, abará, cocada, bolinho de estudante e passarinha, ocupam desde as principais ruas da cidade até os bairros mais periféricos da capital.
Onde há uma esquina, tem sempre uma baiana de acarajé para saciar o desejo de baianos e turistas.

Gringa
A americana Catriona Curre, 25 anos, não conseguiu resistir às delícias da terra e experimentou o bolinho com massa dourada e crocante, com tudo que tinha direito, mesmo sem conhecer a comida da região.
Sem medo da nova experiência gastronômica, a americana não se arrependeu de ter comido a iguaria tão singular.
- A primeira vez eu pedi a mulher para botar tudo, porque eu não conhecia nenhuma coisa que estava na minha frente. Eu gostei, mas na verdade eu não sabia o que eu estava comendo. A textura e gosto são muito diferentes da comida que eu tenho costume. Não tem comida igual ou que pareça nos Estados Unidos. Eu comi uma coisa que não acha em outras partes do mundo.
Ela mostrou que é ‘retada’ e, mesmo passando mal por causa da falta de costume, não deixou de comer o acarajé, com muita pimenta e camarão, nas sete vezes que esteve em Salvador.
- Na verdade eu ainda passo um pouco mal depois de comer por causa do dendê, que não é usado nos Estados Unidos. Mas eu gosto muito de acarajé, então eu prefiro comer e ter um pouco de dor de barriga do que evitar.
“Bolinho cultural”
Para alguns, o bolinho é apenas uma iguaria muito saborosa, mas poucos conhecem a relevância da comida para a cultura baiana. Segundo o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), é um símbolo de herança espiritual e material da África Ocidental que persiste nas tradições do povo baiano; um símbolo de relevância da mulher negra para a produção e reprodução física e cultural do povo baiano.
A diretora-executiva da Associação das Baianas de Acarajé (Abam), Eliene Oliveira dos Santos, explica que o acarajé representa a tradição, uma profissão, que assegura o sustento de mais de 2.000 baianas de acarajé ligadas a associação, em Salvador. Na Bahia, a Abam estima que o bolinho seja vendido por mais de cinco mil baianas.
Recentemente, a Prefeitura de Salvador impôs novas regras para a venda do acarajé na cidade. De acordo com uma portaria que atualiza o Decreto 12.175/1998, que regulamenta o ofício das baianas e dos vendedores de mingau, o famoso quitute só poderá ser comercializado pelas baianas de acarajé que usarem a roupa completa, saia e torço na cabeça.
Elas também deverão respeitar o tamanho de tabuleiro e tenda. Além disso, a única opção de bebida para os clientes será o refrigerante. A diretora da Abam avalia a decisão positivamente e diz que a medida deve contribuir para o resgate das origens.
- Na verdade, seria o que nós queremos. É caracterizar a baiana.
Após muita polêmica, as baianas também conquistaram o direito de vender acarajé durante a Copa de 2014. Sorte dos turistas, que poderão degustar a iguaria nas proximidades da Arena Fonte Nova.
As baianas mais conhecidas!
Quem: Cira
Onde: Rio Vermelho e Itapuã
Quanto: R$ 5 (sem camarão) e R$ 6 (com camarão)
Quem: Dinha
Onde: Rio Vermelho
Quanto: R$ 5 (sem camarão) e R$ 6 (com camarão)
Quem: Olga
Onde: Extra Paralela e Av. ACM
Quanto: R$ 5 (sem camarão) e R$ 6 (com camarão)
Quem: Regina
Onde: Rio Vermelho
Quanto: R$ 5 (sem camarão) e R$ 6 (com camarão)















