Sem transporte e segurança, bares fecham mais cedo na capital baiana
Estabelecimentos encerram atendimento após a meia-noite e deixam baianos e turistas sem opção de lazer
Bahia|Karina Oliveira, do R7 BA
Salvador tem fama de ser uma cidade festeira e badalada, a “Terra da Alegria”. Mas, a realidade está muito distante da imagem que foi construída e propagada mundo a fora. A cidade adormece após a meia-noite, deixando baianos e turistas sem opções de lazer.
Silvio Ferreira Santos Neto, gerente do bar Sentollas, localizado no bairro de Pituaçu, explica que o horário de funcionamento do estabelecimento está condicionado ao transporte público e à segurança na capital baiana. Com essas limitações, o bar especializado em caranguejo é obrigado, às vezes, a dispensar os clientes, pois os funcionários não têm como voltar para casa após o serviço e o local fica suscetível a assaltos à noite.
O diretor do Sindicato de Hotéis, Restaurantes, Bares e Similares de Salvador (SHRBS), Gilberto Marquezine, também concorda que esses são os dois entraves para o funcionamento dos estabelecimentos após a meia-noite.
- As empresas não têm como dispensar os funcionários de madrugada e deixá-los no ponto esperando três ou quatro horas por um ônibus e não têm condições de pagar táxi ou um veículo para levar o funcionário.
O sindicalista ainda aponta que comerciantes que mantêm os estabelecimentos abertos até mais tarde ficam sujeitos a roubos, devido à precária segurança na cidade.
O transporte coletivo na capital também é apontado por Clarindo Silva, proprietário da Cantina da Lua, que funciona no Centro Histórico de Salvador- mais conhecido como Pelourinho- como problema para os comerciantes da região.
- Aqui no Pelourinho, as pessoas fecham cedo por causa da falta de estrutura, ou seja, meio de locomoção, pois não há transporte que possa levar o funcionário. Quase todos os estabelecimentos comerciais fecham às 22h. O restaurante costuma ficar aberto até onde dá.
Já a segurança na região é bastante elogiada por Silva. Ele afirma que o Pelourinho é hoje a área mais bem policiada do Estado da Bahia.
Mesmo assim, a situação ainda preocupa o comerciante, que e categórico ao afirmar que a cidade precisa ter vida noturna.
O baiano Fernando Mattos, 35 anos, também concorda que Salvador deixa a desejar no quesito lazer. Em suas investidas na noite atrás de um pouco de diversão já chegou a ‘caçar’ algum barzinho aberto após a meia-noite. E, mesmo quando encontrava algo funcionando, após incessante busca, a farra ainda não estava garantida.
- O pessoal já não deixa mais entrar, diz que a cerveja está quente e a cozinha é a primeira a fechar.
Ele diz que o horário de funcionamento dos estabelecimentos tem a ver com o jeito de viver de cada região.
- É por causa da cultura de nossa terra, que os horários são diferentes de São Paulo. Lá você só começa a sair 22h ou 23h, aqui não, nesse horário os bares já começam a fechar.
A comunicóloga Carolina Pires, 25 anos, acha que falta espaço de lazer em Salvador e reclama que a única opção disponível, o bar, não costuma funcionar após às 2h.. A jovem relembra uma experiência constrangedora que viveu com amigos que queriam conhecer a primeira capital do Brasil.
- Alguns amigos que vieram do Rio de Janeiro falaram que se decepcionaram, por que eles ficaram sabendo que Salvador era festa de segunda a segunda, mas só tinha 'reggae' no final de semana e, mesmo assim, muita coisa fechada. Então, infelizmente, o que a gente tem para oferecer é diversão, que é a fama que a gente tem lá fora, e nem isso a gente está conseguindo oferecer.
Em uma cidade como Salvador, que vive do turismo, agradar os visitantes é sinônimo de bons negócios e retorno garantido. O gerente do Sentollas, por exemplo, precisa montar uma estratégia para atender a demanda no período de Alta Estação, quando a capital recebe mais turistas. Os funcionários que moram longe são dispensados primeiro e os trabalhadores que ficam são levados para casa em veículos contratados pela empresa.
Além de administrar os custos com o transporte, o gerente estima que deixa de ganhar mais de 30% do faturamento por causa do fechamento antes do pretendido. O estabelecimento funciona de segunda a sábado até a meia noite.
Nos domingos e feridos, os clientes só podem apreciar as comidas típicas da Bahia até as 21h.
Enquanto os problemas não são solucionados, as pessoas têm que acertar o relógio para não perder o ônibus ou guardar o dinheiro do táxi para voltar para casa, após a diversão com os amigos. Para a segurança não tem jeito, é chamar por Deus!














