Trabalhadores obrigados a dormir em barracos de madeira dentro de mata são resgatados
Vítimas faziam trabalho degradante em uma carvoaria no interior da Bahia
Bahia|Do R7

Pelo menos seis trabalhadores foram encontrados em condições degradantes de trabalho em uma fazenda situada no município de Cardeal da Silva, a 142 km de Salvador de Salvador, durante uma operação realizada entre os dias 22 e 26 de maio.
De acordo com o SRTE/BA (Superintendência Regional do Trabalho na Bahia), os empregados dormiam em barracos improvisados de madeira, no meio da mata atlântica, em contato com insetos e outros animais, dormindo em cima de barracões de lona, sem colchões. As necessidades fisiológicas eram realizadas a céu aberto, sem direito a banho ou ingestão de água potável, convivendo com escassez de alimentos, consumindo carne conservadas em sal.
A fazenda de propriedade de Amarílio Souza Santos e Thiago Cerqueira Santos cortava mata nativa para produção clandestina de carvão. Pelo menos 8 fornos foram encontrados no local. Para cada saca de carvão produzido pelos obreiros, eles recebiam apenas R$7, totalizando cerca R$ 200 por semana, o que sequer garantia o pagamento de um salário mínimo mensal. As carteiras de trabalho não eram assinadas e as atividades eram realizadas sem equipamento de proteção.Também foi constatado que os trabalhadores contratados possuíam dívidas de alimentação com o empregador, contabilizadas através de um caderno.
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Diante do ocorrido, a força-tarefa libertou um trabalhador que era mantido em condição análogas à escravidão e identificou outros cinco empregados que trabalhavam naquela fazenda. No local, foram lavrados mais de 20 autos de infração. Os trabalhadores identificados receberão três parcelas de seguro desemprego, além dos seus direitos trabalhistas e indenizações de até R$ 20.000, segundo afirmou Liane Durão, auditora-fiscal do trabalho da Superintendência Regional do Trabalho na Bahia.
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Como o proprietário da fazenda não compareceu à audiência designada, ocasião em que deveria assinar a carteira de trabalho dos seus empregados, e quitar todos os créditos trabalhistas, o Ministério Público do Trabalho ingressou com ação civil pública solicitando indenização no valor de R$2 milhões, além de solicitar à Justiça do Trabalho a desapropriação da terra, pelo fato dela estar sendo utilizada para fins ilícitos, esclarece Ilan Fonseca, Procurador do Trabalho.












