Brasil A Independência do Brasil eternizada nas ruas de São Paulo

A Independência do Brasil eternizada nas ruas de São Paulo

Materializada em diversos monumentos e museus, a cidade tem papel fundamental no processo que culminou na separação de Portugal em 1822

  • Brasil | Pietro Otsuka*, do R7

São Paulo tem diversos monumentos que homenageiam o 7 de setembro

São Paulo tem diversos monumentos que homenageiam o 7 de setembro

Divulgação/SECOM

Neste sábado (7), comemora-se um dos capítulos mais importantes da história brasileira. Naquele dia, o Brasil se desvencilhava de Portugal em um momento eternizado pelas palavras de um jovem príncipe: Dom Pedro I. Às margens do rio Ipiranga, o monarca declarou o Brasil como país independente. As memórias daquele histórico dia estão materializadas em monumentos e museus espalhados por toda a cidade de São Paulo, que abraça a história do Brasil em suas próprias raízes.

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Para a professora da USP (Universidade de São Paulo) no Museu Paulista, Cecilia Helena Salles Oliveira, não há lugar mais identificado com a Independência do que a cidade de São Paulo. “Há todo um universo político e simbólico que une a cidade de São Paulo, não só a D. Pedro, mas eu acho que, fundamentalmente, à separação de Portugal”, conta a historiadora.

Cecilia também ressalta a importância de São Paulo no contexto histórico da época. Nos momentos anteriores à Independência, D. Pedro se articulava para garantir a separação de Portugal. “Do ponto de vista histórico, a relação entre São Paulo e a Independência é muito grande porque D. Pedro veio à cidade e também foi para Santos, em agosto de 1822, para conseguir apaziguar conflitos políticos que estavam dificultando muito a possibilidade de separação.”

Ela explica que, na época, era fundamental que o príncipe conseguisse apoio político e de tropas locais em São Paulo, caso fosse preciso enfrentar a resistência de Portugal. Também havia a preocupação de que a cidade mantivesse o abastecimento à corte no Rio de Janeiro após a separação, pois São Paulo, ao lado de Minas Gerais, era região que fornecia alimentos para o Rio.

“Mediante esse movimento e o fato de ele ter sido muito bem recebido na cidade, D. Pedro fez uma apresentação no Teatro Municipal de São Paulo, no dia 8 de setembro. Ele criou raízes, criou, inclusive, um imaginário entorno dele muito positivo e, a partir daí, com a separação de Portugal e também com o fato de que muitas lideranças de São Paulo acenderam a cargos importantíssimos no governo do I Reinado e durante o Império, a cidade acabou se tornando um elemento simbólico da separação de Portugal e da proclamação da independência”, comenta.

Para André Araújo, mestre em História pela Unifesp, havia também, por parte dos paulistanos, a intenção de colocar o Dia da Independência como algo impactante. “A sociedade paulista naquela época queria monumentalizar o evento, tornar épico e grandioso, afirma.

Museu do Ipiranga

A edificação mais emblemática dessa relação entre São Paulo e o 7 de Setembro é o Museu Paulista, ou, como é mais conhecido, o Museu do Ipiranga.

“O Museu do Ipiranga é o monumento mais simbólico do Dia da Independência. As verdadeiras raízes estão no monumento do Ipiranga, aquele grande palácio que se transformou num museu, um dos mais importantes do país”, conta Cecilia.

O local foi inaugurado em 7 de setembro de 1895 e passou a ser vinculado à USP (Universidade de São Paulo) em 1963. Desde então, é responsável por abrigar um grande acervo de objetos, mobiliário e obras de arte com relevância histórica, especialmente aquelas que possuem alguma relação com a Independência do Brasil. Uma das mais conhecidas é o quadro “Independência ou Morte”, pintado em 1988, pelo artista Pedro Américo.

“Ao falar da Independência do Brasil a gente sempre vai ter na cabeça a pintura do Pedro Américo ou o Museu do Ipiranga, que é emblemático. É um memorial, um monumento a esse grande feito, ao grito do D. Pedro às margens do rio Ipiranga”, diz Araújo.

No entanto, em 2013, o prédio foi fechado em função do risco de quedas de partes da cobertura devido a infiltrações. Após seis anos do fechamento, as obras de restauração do museu finalmente vão começar.

Em nota, a USP explica o processo por trás da restauração do museu e um esboço de cronograma para o início das obras que começam neste sábado (7), com o anúncio da construtora escolhida para a reforma.

Além do anúncio, acontece a 3ª edição do Museu do Ipiranga em Festa. Serão mais de 10 horas com uma programação que conta com passeios educativos, perfomances artísticas, oficinas e muito mais. O evento é para todas as idades, para que família e amigos aproveitarem a comemoração dos 197 anos da Independência do Brasil.

*Estagiário do R7, sob supervisão de Ana Vinhas

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