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“A Petrobras não poderia passar por uma situação dessas”, diz executivo suspeito de pagar propina

Augusto Mendonça Neto afirmou que a Setal pagou mais de R$ 100 milhões em propina

Brasil|Bruno Lima, do R7, em Brasília

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Executivo suspeito de pagar propina disse que "hoje está fazendo a coisa correta"
Executivo suspeito de pagar propina disse que "hoje está fazendo a coisa correta"

Durante depoimento à CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) da Petrobras nesta quinta-feira (23), o executivo da Setal Engenharia Augusto Mendonça Neto se mostrou arrependido de ter participado do esquema de pagamento de propina investigado pela Operação Lava Jato. 

— Eu sinto que hoje eu estou fazendo a coisa correta. A Petrobras não poderia passar por uma situação dessas.


O empresário disse que durante dois anos a Setal parou de participar das licitações por problemas financeiros e que quando voltaram a ser convidados o esquema já estava mais organizado.

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Mendonça disse que sempre teve medo de que o esquema fosse descoberto e estimou que tenha pago mais de US$ 100 milhões no esquema de propina.

— Para a Diretoria de Serviços foram na faixa de R$ 70 a 80 milhões. Para a [diretoria] de Abastecimento foram R$ 30 milhões.


A Setal é uma das empresas investigadas pela Operação Lava Jato por formação de cartel e pagamento de propina em contratos com a estatal.

O depoimento de Mendonça já dura três horas. Ele confirmou a existência de um cartel formado para vencer as licitações da estatal e que teria repassado parte da propina em doações ao PT.


Mendonça comentou o balanço divulgado pela Petrobras nesta quarta-feira (22) em que a estatal afirma ter tido um prejuízo de R$ 21,6 bilhões em 2014.

De acordo com o levantamento, R$ 6,2 bilhões deste total são fruto de corrupção.

Para Mendonça, a maior parte da perda se deve ao fato de a estatal não ter atualizado os seus valores praticados no mercado.

— A corrupção é um problema enorme, sim, mas não podemos culpar exclusivamente isso na história que aconteceu na Petrobras e muito menos culpar os funcionários da Petrobras.

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