Absolvido do mensalão diz que se sente 'ex-presidiário'
Professor Luizinho ensaia volta à vida pública
Brasil|Do R7
Livres da condição de réu no processo do mensalão, os ex-deputados Professor Luizinho (PT-SP) e Paulo Rocha (PT-PA) reapareceram, nesta terça-feira, em cerimônia petista na Câmara. Os dois, absolvidos pelo STF (Supremo Tribunal Federal) da acusação pelo crime de lavagem de dinheiro, ensaiaram uma volta à vida pública na comemoração da edição número 5.000 do jornal do PT na Câmara.
Luizinho, líder do governo na Câmara em 2005, quando estourou o escândalo do mensalão.
— Estou com o sentimento de ex-presidiário. Eu fui julgado, condenado. Fui punido, cumpri pena e agora fui libertado. Mas ainda sinto o preconceito que existe na sociedade contra todos os ex-presidiários.
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Nos últimos sete anos, Luizinho não ocupou outros cargos eletivos.
— Estou sete anos fora da política. Os prejuízos foram todos. A desonra, o sofrimento da minha família. Agora houve uma demonstração clara da minha honra, mas esse ônus nunca será reposto.
Ao contrário de Luizinho, Paulo Rocha evitou conversa.
— Não vou falar nada. Ainda está no julgamento.
O ex-deputado era líder do PT, em 2005, e renunciou ao mandato de deputado para fugir do processo de cassação na Câmara.
Além da bancada petista no Congresso e o presidente da Câmara, Marco Maia (PT-RS), o evento reuniu o presidente do PT, Rui Falcão, e o ministro da Educação, o petista Aloizio Mercadante. Rui Falcão afastou qualquer processo de expulsão do partido dos condenados no julgamento pelo Supremo: o ex-ministro José Dirceu, o ex-presidente do partido José Genoino, o ex-tesoureiro Delúbio Soares e o deputado João Paulo Cunha (SP).
Embora o estatuto do partido determine a expulsão de filiados condenados "por crime infamante ou por práticas administrativas ilícitas, com sentença transitado em julgado", a norma não será usada pelo partido. Sobre isto, relembra Falcão.
— Nenhum deles está incluído [na punição]. Não houve desvio administrativo. Quem aplica o estatuto somos nós. Nós interpretamos o estatuto.
O presidente do PT afirmou não temer novas declarações do publicitário Marcos Valério, condenado no julgamento do mensalão, em eventual acordo de delação premiada na Justiça.
— Nós do PT não temos nada a temer. É uma decisão dele [Valério].
Na comemoração do jornal editado pela bancada do PT, Falcão afirmou que o partido quer contribuir para ampliar a liberdade de expressão no País.
— Que a informação não seja privilégio de poucos, mas de fortalecimento da democracia.















