Brasil Ao Conselho de Ética, Flordelis volta a chorar e alegar inocência

Ao Conselho de Ética, Flordelis volta a chorar e alegar inocência

Deputada, acusada de ser a mandante do assassinato do marido, apelou aos colegas pela oportunidade de não perder o mandato

  • Brasil | Do R7

Flordelis se defende: 'Fui mandada para júri popular, mas eu digo com convicção que serei inocentada'

Flordelis se defende: 'Fui mandada para júri popular, mas eu digo com convicção que serei inocentada'

Reprodução

Em depoimento presencial ao Conselho de Ética da Câmara dos Deputados nesta quinta-feira (13), a deputada federal Flordelis (PSD-RJ) voltou a chorar e a dizer que não mandou matar seu marido, o pastor Anderson do Carmo, além de apelar pela oportunidade de poder continuar o seu mandato. Pela acusação, a deputada é alvo de processo por quebra de decoro parlamentar e corre o risco de perder o cargo na Casa.

Flordelis foi denunciada pelo MP do Rio de Janeiro como mandante do assassinato, ocorrido em junho de 2019. A deputada responde por homicídio triplamente qualificado, tentativa de homicídio, uso de documento falso e associação criminosa armada. A parlamentar e mais nove acusados vão enfrentar o júri popular.

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A parlamentar foi inquirida pelo relator, o deputado Alexandre Leite (DEM/SP), pelo vice-presidente do Conselho de Ética, Carlos Sampaio (PSDB-SP), e por seus advogados, Anderson Rollemberg e Janira Rocha. Antes de responder às perguntas, ela se defendeu das acusações. "Eu não mandei matar meu marido. Ele não era só meu marido, era meu amigo, meu parceiro, o articulador do meu trabalho como parlamentar", disse.

Segundo Flordelis, o marido ficava com 60% dos seus vencimentos como deputada. O dinheiro seria usado para manter a igreja em que os dois atuavam como pastores. Ela afirmou também que Anderson do Carmo era chamado, nos corredores da Câmara, como "514" porque também era reconhecido como uma espécie de deputado (o total de parlamentares na Casa é 513).

Ao pedir para manter o seu mandato, a deputada afirmou que hoje vive com metade do salário de parlamentar. "Não me tirem isso. Falar em cassar meu mandato é tirar a comida da boca dos meus filhos por um crime que eu não cometi", disse. "Me deem a oportunidade de continuar o meu mandato. Eu ainda não julgada. Fui mandada para júri popular, mas eu digo com convicção que serei inocentada", afirmou.

Confissão da filha

Em relação ao assassinato, Flordelis afirmou ter ficado surpresa com a confissão de sua filha biológica, Simone dos Santos Rodrigues, que assumiu ser a mandante do crime. "Foi algo que me abateu muito. Não esperava por isso", disse. Simone alegou à Justiça que tinha medo do pastor e que sofria investidas sexuais rotineiras, fato que Flordelis afirmou desconhecer. "Eu não tinha ciência disso. Minha filha nunca contou."

Em resposta ao deputado Carlos Sampaio, a deputada afirmou que jamais tentou persuadir ou intimidar testemunhas ou corréus. "Fui acusada de usar as redes sociais para isso, mas apenas cantei as músicas de sempre", disse. Em seguida, a deputada chegou a entoar trechos de duas canções gospel.

A sessão foi encerrada pós cerca de 4 horas de oitiva, ocasião em que Flordelis disse ao relator que o processo de cassação de seu mandato é "injusto e cruel". "Esse crime não tem nada a ver com decoro parlamentar."

Por causa de sua imunidade parlamentar, Flordelis cumpre medidas cautelares, monitorada por tornozeleira eletrônica.

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