Após 25 anos, atores políticos da Assembleia Constituinte ainda influenciam o cenário eleitoral
Do grupo de parlamentares, três se tornaram presidentes do Brasil
Brasil|Carolina Martins, do R7, em Brasília

A Constituição Federal completa 25 anos neste sábado (5) e é lembrada como um marco da redemocratização do Brasil. Os políticos que ajudaram a escrever a Carta são, até hoje, peças importantes no cenário eleitoral. Muitos deles ocuparam cargos determinantes no governo, como a presidência da República e o comando do Congresso Nacional.
Dos parlamentares que integraram a Assembleia Nacional Constituinte, três sentaram na cadeira de presidente do País: Itamar Franco, Fernando Henrique Cardoso e Luiz Inácio Lula da Silva.
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Atualmente, os três primeiros lugares na linha de sucessão presidencial também fizeram parte da Constituinte: o vice-presidente Michel Temer, o presidente da Câmara, Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN) e o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL).
Além disso, dois ex-presidentes do STF (Supremo Tribunal Federal), Nelson Jobim e Maurício Corrêa, e mais de 30 ex-governadores, entre eles José Serra (SP), Geraldo Alkmin (SP) e Maguito Vilela (GO), são expoentes da “geração Constituinte”.
Bons partidos
Na análise do cientista político da UnB (Universidade de Brasília), Antônio Flávio Testa, os parlamentares tiveram atuações diferentes na Constituinte, e todos estavam em início da carreira política. Para o especialista, se dos 487 deputados e 72 senadores alguns ganharam destaque, isso se deve a competência deles e de seus partidos.
— A Constituinte foi um grande movimento político nacional, que mostrou o Brasil na época. Teve políticos que emergiram, mas outros saíram de cena. Os que continuaram é porque tiveram uma boa estrutura partidária, além de sua competência pessoal.
O professor lembra que grandes nomes da geração Constituinte, como o então senador Bernardo Cabral, que foi o relator geral do projeto que resultou na Constituição, saiu do cenário político. Já para Lula, a trajetória foi diferente.
— O Lula foi um constituinte medíocre, no entanto passou a ser o politico mais influente no Brasil.
Outro caso emblemático é do presidente da Constituinte, Ulysses Guimarães. Considerado o grande articulador da Assembleia, que permitiu a convergência das ideias para um projeto que tivesse a aprovação da maioria, se lançou candidato à presidente da República em 1989 - um ano depois da promulgação da Carta.
Mesmo com o grande destaque que teve na Constituinte, ficou em sétimo lugar nas eleições que elegeram Fernando Collor de Mello presidente do Brasil.
Mobilização social
Recém-saído do período de ditadura, o País se mobilizava para reformular todo o conjunto de leis e assegurar direitos civis e liberdades individuais, esquecidos durante o regime militar.
Para elaborar a Carta, ficou definido que os parlamentares que vencessem as eleições de 1986 também seriam integrantes da Assembleia Nacional Constituinte, responsáveis por discutir e aprovar as novas normas do País. Esse novo ingrediente, agitou a campanha eleitoral.
Além dos políticos tradicionais, nomes ligados a movimentos sociais decidiram se candidatar para participar desse processo. Entre eles, estava o líder sindical Luiz Inácio Lula da Silva e o ex-presidente da UNE (União Nacional dos Estudantes) José Serra.
Integrantes da classe artística também se envolveram, como a atriz Bete Mendes, que foi eleita deputada. Lideranças comunitárias, como Benedita da Silva, e ex-ministros do regime militar, com Delfim Neto, também conseguiram integrar a Constituinte, para defender o interesse de seus representantes.
Mesmo 25 anos depois, muitos políticos da geração Constituinte devem ter papel de destaque nas próximas eleições. O senador Aécio Neves, presidente do PSDB e provável candidato tucano ao Planalto, era deputado pelo PMDB na Assembleia que elaborou a Constituição.
Além disso, dirigentes de partidos importantes para composição de alianças, como Roberto Freire, do PPS, e Agripino Maia, do DEM, também fizeram parte da geração Constituinte.
O professor de Ciências Políticas do IESP/UERJ (Instituto de Estudos Sociais e Políticos da Universidade do Estado do Rio de Janeiro), Marcus Figueiredo, avalia que o destaque de todas essas personalidades é resultante do cenário político da época, aliado à força dos partidos.
— Nós temos essa geração que vem do movimento anti-ditadura. Foi mais a liderança desses personagens e dos partidos, que deram o tom na disputa política no País desde então.















