Após protestos em SP, governo quer plano de combate ao vandalismo em manifestações
Ministério da Justiça vai coordenar encontro para estabelecer diretrizes do plano de ação
Brasil|Carolina Martins, do R7, em Brasília

Após ações de vandalismo durante as manifestações na rodovia Fernão Dias, em São Paulo, o governo federal se mostrou preocupado, nesta terça-feira (29), com a violência que vem sendo registrada em protestos pelo País.
O ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, informou que está articulando uma reunião com Ministério Público, a OAB (Ordem dos Advogados do Brasil) e o CNJ (Conselho Nacional de Justiça) para traçar um plano de combate ao vandalismo.
De acordo com o ministro, ele já conversou com o presidente do CNMP (Conselho Nacional do Ministério Público), Rodrigo Janot, e com o presidente nacional da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil), Marcus Vinícius Furtado, para agendar uma reunião.
Cardozo vai falar também com o presidente do CNJ (Conselho Nacional de Justiça), Joaquim Barbosa, para debater ações estratégicas contra a violência em manifestações. A ideia é marcar uma reunião para a próxima quinta-feira (31).
— Será uma reunião para traçar exatamente uma discussão que busque um afinamento, não só dos órgãos de segurança pública, mas também do Ministério Público e do Judiciário em relação a essa matéria. [...] É necessário que nós tenhamos uma política de segurança pública que garanta a liberdade de manifestação, mas que não permita o vandalismo.
O ministro também lamentou a morte do estudante, que deu origem ao protesto, e pediu uma investigação rigorosa para esclarecer as circunstâncias do assassinato do rapaz.
— Além da nossa solidariedade nós também temos manifestado reiteradamente a necessidade de que se faça, como tenho certeza que se fará, uma investigação rigorosa dos fatos para que a sociedade saiba as tristes razões que levaram a esse situação.

O protesto
Pelo menos 90 pessoas foram presas, depois dos protestos realizados nesta segunda em São Paulo. As manifestações começaram após o enterro do jovem de 17 anos que foi assassinado por um policial militar no último domingo (27).
O estudante estava na porta de um bar, quando a polícia apareceu, após uma reclamação de música alta. O rapaz foi baleado enquanto conversava com um amigo. O soldado que atirou está preso e alega que a arma disparou acidentalmente.
Durantes os protestos, vândalos com o rosto coberto bloquearam a rodovia Fernão Dias, que liga São Paulo a Minas Gerais, colocaram fogo em cabines de caminhões, ônibus e chegaram a dirigir um caminhão-tanque na contramão da estrada. A rodovia ficou completamente interditada na altura da região norte de São Paulo por mais de duas horas. Protestos também foram registrados em bairros que ficam nas proximidades da estrada.
Ao todo, pelo menos cinco ônibus e três caminhões foram incendiados. Lojas foram saqueadas e os manifestantes montaram barricadas nas ruas, interditando o trânsito de vias internas da cidade. Uma pessoa chegou a ser baleada, mas não há registro de mortes.















