Brasil Araújo chama Maduro de facínora e diz que visita não foi apoio a Trump

Araújo chama Maduro de facínora e diz que visita não foi apoio a Trump

No Senado, ministro das Relações Exteriores afirmou que secretário americano Mike Pompeo veio a Roraima em defesa dos direitos humanos

  • Brasil | Do R7

Ernesto Araújo participa de audiência no Senado

Ernesto Araújo participa de audiência no Senado

TV Senado / Reprodução

O ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo, compareceu nesta quinta-feira (24) a uma audiência pública para falar sobre a visita do secretário de Estado norte-americano, Mike Pompeo, a Roraima na sexta-feira (18). 

Nervoso, Araújo atribuiu ao uso das máscaras (obrigatórias no Senado) o tom ofegante. Apesar da aparente insegurança, foi duro ao criticar o regime de Nicolás Maduro, presidente da Venezuela não reconhecido pelo governo brasileiro, que apoia Juan Guaidó, líder da oposição.

"É importante que a gente não use a palavra Venezuela para se referiu a esse bando de facínoras que ocupa o poder ainda no país, pelos quais a gente só tem desprezo. Justamente, me parece."

Ele reforçou que tanto o Brasil como os Estados Unidos não são contra o país sul-americano, ao contrário. "Absolutamente nada do que estamos fazendo é contra o povo. Não é uma ofensa à Venezuela, seria se ignorássemos a situação atual."

De acordo com o chanceler, o êxodo venezuelano não tem precedente e pouquíssimos no mundo: 4 ou 5 milhões, ou aproximadamente 15% da população, já deixaram seu país.

O ministro explicou que a ideia da visita a Roraima partiu de Mike Pompeo. "O secretário me telefonou dizendo que estava querendo visitar países da América do Sul e gostaria de vir ao Brasil para conhecer em Boa Vista a Operação Acolhida."

A Operação Acolhida, na qual o Brasil já gastou cerca de 400 milhões de dólares desde 2018, é uma iniciativa internacionalmente reconhecida, afirmou o ministro. Ele lembrou que autoridades internacionais que elogiaram o programa, como o secretário-geral da ONU (Organização das Nações Unidas), António Guterres.

Ele afirmou que o governo norte-americano já destinou mais de 64 milhões de dólares para o financiamento de atividades e apoio a imigrantes e refugiados a venezuelanos no Brasil. "E mais os 30 milhões que os Estados Unidos anunciaram na última sexta-feira, em Boa Vista", acrescentou. 

Os valores, explicou, não são dados diretamente ao governo brasileiro, mas chegam por organismos internacionais. "Parece que faz todo o sentido que o secretário dos Estados Unidos tenha interesse em conhecer essa operação e a visite, o que nos dá imenso orgulho."

Ele disse que houve um erro de tradução em uma das declarações de  Mike Pompeo na entrevista coletiva dada após a visita. "Foi traduzido que ele teria dito que nosso mundo está consistente, nós vamos colocar essa pessoa no lugar certo, como se estivesse falando de [Nicolás] Maduro. Na verdade, o que ele disse em inglês foi que nossa vontade é consistente, nosso trabalho será incansável e chegaremos no lugar certo."

Araújo leu vários trechos em inglês para apontar as falhas na tradução e para mostrar, segundo ele, que Pompeo não disse algo polêmico. "Nada foi dito que possa ser considerado ameaça ou agressão ou qualquer coisa nesse sentido." 

Ele contou que falou na semana passada com o ministro das Relações Exteriores da China, Wang Yi. "Nossas perspectivas são muito diferentes. Reiterei nossa enorme preocupação ocm a situação dos direitos humanos e falta de democracia na Venezuela. O minsitro da China se referiu basicamente à ideia de não intervenção, acha que não se pode fazer nada. São perspectivas muito diferentes", declarou.

Campanha de Trump

Araújo fez uma longa descrição de crimes venezuelanos contra os direitos humanos e a democracia. E afirmou que entre as críticas feitas à visita de Mark Pompeo seria que ele foi usada como plataforma eleitoral na campanha de Donald Trump, candidato à reeleição no país. Ele afirmou que tanto democratas quanto republicanos se posicionaram a favor de sanções à Venezuela e se mostram preocupados com a situação da nação sul-americana. "Não há diferença substatntiav Tudo indica que se houver uma vitória democrata na eleição americana em novembro, a atitude norte-americana para a Venezuela deve continuar a mesma."

"Na reunião de Boa Vista não foi apontada nenhuma novidade dos dois países"

"Essa ideia de ser plataforma eleitoral, cria uma estranha relação de dependência com o calendário político de outros países. Se nós não pudermos defender os direitos humanos em outros países em época de campanha, em que mundo nós estamos. Essa defesa é uma luta permanente em todo o mundo."

Para ele, se o Brasil dissesse que não poderia receber Pompeo por causa da eleição americana estar próxima, o país estaria colocando a campanha americana na frente da defesa dos direitos humanos. 

Críticas

Araújo disse ainda que a economia nacional não será prejudicada com a postura do governo de Jair Bolsonaro em relação ao atual regime na Venezuela. "O que feriu nossos interesses comerciais e econômicos foi a atitude irresponsável de governos anteriores de apoiar Hugo Chávez e NIcoláz Maduro."

Ele citou, por exemplo, a construção da refinaria Abreu e Lima. "Onde houve um compromisso da Petrobras em participar com a Venezuela de Chávez da construção. Ele nunca colocou o dinheiro e a Petrobras teve prejuízos financeiros e na sua credibilidade."

O ministro também citou companhias nacionais que perderam dinheiro, com garantias do Tesouro Nacional, em relações comerciais estimuladas por governos anteriores.

Ao responder uma pergunda da senadora Mara Gabrilli (PSDB), ele afirmou que a busca da paz tem sido usada como um clichê por governo anteriores. "Diplomacia não combina com covardia."

Ele citou que as administrações que apoiaram o regime venezuelano foram contra a nossa Constituição por irem contra a democracia e os direitos humanos.

O pedido para Araujo explicar a visita de Pompeo foi feito pelo senador Telmário Mota (Pros-RR). Ele ressaltou que Roraima tem, "há séculos", uma relação pacífica com a Venezuela.

Para ele, Pompeo veio ao Brasil apenas para usar o país como palanque para Trump. "Por que ele não veio aqui no auge da crise migratório, em que estávamos passando fome. Por que não veio no meio da pandemia. Os Estados Unidos comprou todos os respiradores da China e não nos deu nenhum."

Mota afirmou também que a Venezuela, independentemente do presidente que administre o país, é de extrema importância para a economia de Roraima.

"Nós não podemos brigar com um país que está comprando da gente", disse o senador. "Eu não sou a favor de Maduro, Guaidó, Chávez, eu sou a favor de quem está comprando do Brasil."

Telmário Mota presenteou Araújo com uma bandeira do Brasil, dizendo que essa era a nossa bandeira, não a dos Estados Unidos.

O ministro se defendeu afirmando que o parceiro internacional que mais pode ajudar o país a defender os interesses brasileiros são os Estados Unidos. "É o que mais pode nos ajudar a cumprir a Constituição, [que defende] independência nacional, autodeterminação dos povos, repúdio ao terrorismo e ao racismo. É o que pode ajudar a transformar o Brasil numa verdadeira democracia e economia de mercado."

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