Argelinos comemoram, apesar da derrota para alemães
Brasil|Do R7
Fogos de artifício tomaram os céus de Argel, capital da Argélia, para comemorar o jogo dos Fennecs, que deram muito trabalho à seleção alemã e quase chegaram às quartas de final da Copa, sendo derrotados por 2 a 1 na prorrogação.
Até o último segundo, os torcedores dos Verdes acreditaram na vitória.
Na praça La Grande Poste, principal ponto de encontro dos torcedores na capital, os cantos de glória aos Verdes continuavam a ecoar mesmo depois do apito de fim de jogo e apesar da tristeza. Os carros também invadiram as ruas, com um barulhento buzinaço.
"Estou triste, mas muito orgulhoso da equipe que enfrentou uma mecânica alemã polida e sofisticada", afirmou Larbi, na faixa dos 40 anos, acompanhado do filho de oito.
"Festejamos, apesar da derrota, porque os jogadores realmente merecem que a gente preste uma homenagem a eles", diz Saïd, um senhor de 80 anos.
Ao lado dele, um jovem chora. "É uma pena!", lamenta, bastante emocionado.
Por ocasião do jogo Alemanha x Argélia, o futebol superou a religião nesse segundo dia do mês de jejum muçulmano do Ramadã, período normalmente dedicado à devoção. No lugar de mesquitas lotadas de fiéis durante o Ramadã, o que se viu hoje foram templos vazios e muita oração e concentração mesmo na frente de telinhas e telões.
"Inch'Allah ya rebbi, Argélia classificada", não se cansavam de pedir os milhares de torcedores reunidos na praça La Grande Poste. Lá, pela primeira vez desde o primeiro jogo da Argélia contra a Bélgica, as mulheres se misturaram à multidão.
Com camisas da seleção, levando vuvuzelas, ou apitos, muitas pessoas acompanharam a partida em cafés, ou lojas com televisores. As cidades argelinas se cobriram de bandeiras verdes e brancas.
"O resultado não importa. A equipe alcançou seu objetivo", elogiou Nassim, apertando a buzina do carro.
"Hoje era dia de portas fechadas na mesquita", brincou Hamid, de 30, acrescentando que era impossível ir rezar e perder a partida.
"A fé tem seus limites", disse seu amigo Hakim, um "muçulmano não praticante".
Nesse dia de festa, meninas e mulheres de todas as idades tomaram as ruas, junto com os homens, em uma cidade onde, em geral, as barreiras de gênero são difíceis de superar.
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