Argentinos definirão futuro da economia em 2o turno de eleição presidencial
Brasil|Do R7
Por Nicolás Misculin e Maximilian Heath
BUENOS AIRES (Reuters) - Os argentinos decidirão no segundo turno da eleição presidencial do próximo domingo a profundidade e a velocidade das mudanças que serão aplicadas em um modelo econômico de forte intervenção estatal que necessita de ajustes para que o país volte a crescer.
Depois de três governos de centro-esquerda peronista, os dois últimos encabeçados pela presidente em fim de mandato Cristina Kirchner, durante os quais foram criados muitos empregos e se reduziu a pobreza, a bem controlada economia argentina sofre com falta de divisas, baixa produtividade e inflação elevada.
Estimulado pelo descontentamento com a situação econômica, a beligerância do governo e a polarização em que a sociedade está mergulhada, o ex-empresário Mauricio Macri lidera as preferências para a votação na qual enfrenta o governista Daniel Scioli, que venceu o primeiro turno.
"Não queremos a abertura da economia para que todo o mundo se afunde (quebre). Nós vamos criar trabalho", disse na quarta-feira Macri, prefeito da cidade de Buenos Aires e líder da centro-direita renovadora, ao portal de notícias Infobae.
Ambos pretendem acabar com o controle rígido das moedas, reduzir impostos, flexibilizar as restrições para as exportações e melhorar as estatísticas oficiais. Mas Scioli, ex-campeão de corridas de barcos de 58 anos, quer fazer tudo isso pouco a pouco, e Macri, de 56 anos, com uma canetada.
Apesar das coincidências, a campanha se polarizou em função da tentativa dos dois candidatos de conquistar os votos dos indecisos.
"No domingo, diante da urna, se terá que escolher entre dois caminhos, o da inclusão ou o da exclusão; o do Estado presente ou o do capitalismo selvagem e das injustiças sociais", declarou Scioli em sua página de Facebook.
A Argentina encampou na década de 1990 um modelo neoliberal caracterizado pela paridade do peso com o dólar e privatizações, que culminou com uma crise econômica traumática que deu lugar a uma vertiginosa sucessão de cinco presidentes em 10 dias, a desvalorização do peso e um calote multimilionário de sua dívida.
Pouco depois, o falecido peronista Néstor Kirchner – marido e antecessor de Cristina – conquistou a presidência e impulsionou um crescimento incipiente graças à melhora do consumo doméstico e do auge dos preços das matérias primas que o país exporta.
Depois de 12 anos de kirchnerismo, e com os preços das matérias primas em queda, as reservas internacionais do país rondam cifras mínimas recordes e os generosos subsídios e a criação de empregos são cada vez mais difíceis de manter.















