Articuladora das Diretas Já, Fafá de Belém diz que movimento foi pacífico e alerta: "democracia se escreve diariamente"
Senador Pedro Simon diz que apoio da população ajudou durante transição democrática
Brasil|Do R7*

Há exatos 29 anos, uma multidão de artistas, políticos e populares se rebelaram contra a opressão do regime militar e foi às ruas entre janeiro e abril de 1984 para pedir a redemocratização do Brasil e o direito de ir às urnas para escolher seus governantes. O movimento ficou conhecido como Diretas Já.
Naquela série de manifestações, o maior dos comícios ocorreu no dia 16 de abril no Vale do Anhangabaú, área central de São Paulo. O protesto reuniu 1,5 milhão de pessoas.
Personalidade da música brasileira, a cantora Fafá de Belém participou das manifestações e apoiou as Diretas Já. Ao lado de outros artistas, ela se engajou na luta pela transição democrática brasileira, mas alerta: "a democracia se escreve diariamente".
Em entrevista exclusiva ao R7, Fafá explicou que, para ela, “[o movimento foi] pacífico e talvez o mais importante do mundo contemporâneo”, porque os manifestantes foram às ruas de maneira pacífica e “não aceitaram provocações”.
— Foi tão pacífico que a ditadura não pode fazer nada.
Fafá lembra que “ninguém era dono das Diretas” e que, por isso, os artistas e intelectuais faziam a “ponte de credibilidade” entre a classe política e o povo.
O senador Pedro Simon (PMDB-RS) foi um dos principais articuladores do movimento. Em entrevista ao R7, Simon disse que houve um debate dentro do partido para decidir quais seriam as bandeiras levantadas pelas Diretas Já.
— Eram as [eleições] diretas, anistia, liberdade de imprensa e fim da tortura. Dentro dessas quatro bandeiras, pegamos em primeiro lugar a das Diretas Já.

Simon destaca que, com o apoio da população, foi mais fácil obter sucesso com o movimento.
— Veio todo mundo. A sociedade toda participou. Tínhamos certeza absoluta das Diretas Já.
Fafá, que fez todos os comícios das Diretas, afirma ter “muito orgulho de ter participado” do movimento.
— Ali que eu vi a importância de estarmos juntos.
Para a cantora, as Diretas foram um “ponto chave” para a redemocratização do País, mas pondera que a construção de uma democracia leva tempo e exige envolvimento da população.
— É preciso discutir em profundidade o que é democracia.
* Colaborou Giorgia Cavicchioli, estagiária do R7.















