"As coisas não estão mais debaixo do tapete", diz Carvalho sobre corrupção
Para o ministro, instituições têm mais liberdade para investigar
Brasil|Do R7
O ministro da Secretaria Geral da Presidência, Gilberto Carvalho, afirmou que o combate à corrupção continua sendo prioridade no País e que o governo Dilma Rousseff não hesitará em "cortar na carne" para punir os envolvidos em malfeitos.
— Cortaremos na carne, doa a quem doer. Sempre foi assim, desde o governo Lula e continua sendo.
Sem se referir diretamente à operação Porto Seguro, da Polícia Federal, que desmantelou um esquema de compra de pareceres fraudulentos no governo, Carvalho disse que hoje as instituições têm autonomia para investigar e punir os envolvidos em corrupção, ao contrário, segundo ele, do que ocorria no governo Fernando Henrique Cardoso.
— No governo Fernando Henrique não havia essa autonomia. Antes havia "engavetador geral da República". Com o presidente Lula começamos a ter um procurador, com toda liberdade.
Dez servidores já saíram de seus cargos após operação da PF
As afirmações foram uma resposta às críticas do ex-presidente sobre as últimas denúncias de corrupção.
Segundo Carvalho, a atuação firme da Polícia Federal, do Ministério Público e da CGU (Controladoria Geral da União) que resultam em condenações na Justiça, pode parecer que há mais corrupção. Mas o que há, na verdade, segundo o ministro, é autonomia e independência das instituições e fiscalização e controle.
— A PF que é hoje cantada em prosa e verso por sua independência só passou a ser independente no governo do presidente Lula e continua assim no governo da presidente Dilma, cortando na nossa própria carne, quando necessário. A CGU nunca teve liberdade para agir como tem agora, portanto a impressão de que há mais corrupção agora não é real.
O que há agora, segundo o ministro "é que as coisas não estão mais debaixo do tapete".
— A PF e os órgãos todos de vigilância e fiscalização estão autorizados e com plena liberdade para agir. Não é uma autonomia que nasceu do nada, porque antes não havia essa autonomia. No governo FHC não havia autonomia. Agora há.
Referindo-se às punições de dirigentes do governo por envolvimento em atos de corrupção, Carvalho disse que "tudo isso é saudável, mesmo quando cortam na nossa carne".
— É o resultado do avanço da democracia.
Carvalho falou com a imprensa ao chegar, nesta segunda-feira (3), para o seminário "Desafios da Construção de Democracia no Mercosul", promovido pelo governo brasileiro e por organizações sociais.















