Assassinatos de negros crescem 11,5% e de não negros caem 12,9%

Atlas da Violência mostra que em 2018 ocorreram 57.956 homicídios em todo o país, uma redução de 12% em relação a 2017. Jovens são 53% das vítimas

Estudo mostra que 75,7% das vítimas de homicídio eram negras

Estudo mostra que 75,7% das vítimas de homicídio eram negras

Marcelo Camargo/Agência Brasil

O Atlas da Violência 2020, realizado pelo Ipea e pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública e divulgado nesta quinta-feira (27), revelou que houve um aumento no número de homicídios de pessoas negras de 11,5%. Enquanto que entre não negros, o número de homicídios caiu 12,9%. O levantamento mostra o número de assassinatos ocorridos entre 2008 e 2018.

Em relação à desigualdade racial, 75,7% das vítimas de homicídio eram negras. Segundo o estudo, para cada não negro vítima de homicídio, morreram 4,7 negros no Ceará, 5,1 em Sergipe, 8,9 na Paraíba, 17 em Alagoas. Para cada não negro assassinado, 2,7 negros são vítimas de homicício.

O estudo mostrou ainda que em 2018 ocorreram 57.956 homicídios em todo o país, uma redução de 12% em relação a 2017. Segundo o estudo, as maiores taxas de homicídio estão nos estados de Roraima (71,8%), Ceará (54%), Pará (53,2%), Rio Grande do Norte (52,5%), Amapá (51,4%) e Sergipe (49,7%). Os estados com menores taxas estão Mato Grosso do Sul (20,8%), Piauí (19%), Distrito Federal (17,8%), Mina Gerais (16%), Santa Catarina (11,9%) e São Paulo (8,2%).

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O Altas apontou que 12.310 mortes não tiveram causa definida. Em relação ao perfil das pessoas assassinadas, 91,8% são homens e 8% são mulheres. A taxa de escolaridade de sete anos é de 74,3% entre os homens e 66,2% entre as mulheres. Homens negros tem um risco de ser vítima 74% maior. Mulheres negras têm um risco de ser vítima 64,4% maior. Sábado e domingo foram os dias com mais frequência de homicídios.

O estudo também demonstrou os cenários de violência contra a mulher e contra jovens. Segundo o levantamento, 4.519 foram assassinadas em 2018, sendo 68% das vítimas mulheres negras. Entre os anos de 2008 e 2018, os homicídios de mulheres negras aumentaram 12,4% e de não negras reduziram 11,7%. A partir desses números, é possível dizer que uma mulher é assassinada a cada duas horas no Brasil.

Entre os jovens, 30.873 morreram vítimas de homicídios no ano de 2018, 53,3% do total de vítimas. O homicídio foi a principal causa de óbitos entre homens jovens: 55,6% das mortes ocorreu entre 15 e 19 anos, 52,2%, entre 20 e 24 anos e 43,7% entre 25 e 29 anos. O estudo demonstrou ainda que o ECA (Estatuto da Criança e do Adolescente reduziu a escalada da violência contra crianças e adolescentes. Antes da legislação, o crescimento médio anual de mortes do zero aos 19 anos era de 7,8% e depois do Estatuto passou para 3,1%.

O Atlas mostrou também que 71,1% dos assassinatos no Brasil foram cometidos por arma de fogo. Antes do Estatuto do Desarmamento o crescimento médio anual de homicídios era de 5,9%. Depois da legislação, passou para 0,9%.