Autor de projeto contra o Uber já foi acusado de desvios nos transportes
Denúncia aponta que Carlos Zarattini repassou cerca de R$ 1 mi às empresas
Brasil|Henrique Beirangê, da RecordTV

O deputado Carlos Zarattini (PT-SP), autor do projeto de lei que regulamenta os aplicativos de transporte, deixou o cargo de secretário de Transportes da Prefeitura de São Paulo em 2002, após ser alvo de denúncias de transferências irregulares de recursos para empresas de ônibus da capital.
A denúncia de que Zarattini teria repassado cerca de R$ 1 milhão às companhias partiu de William Ali Chaim, militante ligado ao alto escalão do PT e então presidente do grupo de ônibus Romero Niquini. Chaim teve os contratos rompidos na época pela SPTrans por supostas irregularidades na prestação de contas da empresa.
Chaim disse que o deputado repassava recursos do município para as empresas quitarem suas dívidas.
Motoristas do Uber fazem buzinaço na Avenida Paulista
Em entrevista à Folha de S.Paulo na época, Chaim disse ter sido indicado para assumir a presidência do segundo maior grupo de ônibus da cidade de São Paulo pelo próprio deputado. Na época, a então prefeita Marta Suplicy disse que aceitava a saída do secretário “com pesar”.
De acordo com Chaim, até mesmo vales-transportes teriam sido usados na operação para passar recursos do município para as empresas de transporte. A reportagem entrou em contato com Zarattini para falar do assunto. Segundo o deputado, a denúncia foi arquivada pelo Conselho do Ministério Público.
“Depois de sete anos não acharam nada”, afirmou. O deputado disse que decidiu não processar o denunciante, mas pediu o seu afastamento do PT. Zarattini também é suspeito de receber recursos da Odebrecht na investigação da Operação Lava Jato.

O petista teria ganhado R$ 50 mil em pagamentos indevidos da construtora para campanhas eleitorais em 2010 e também seria beneficiário, juntamente com o ex-deputado Cândidato Vacarezza, de pagamentos de R$ 5 milhões, que fariam parte de um crédito de R$ 27 milhões em benefício do PT, realizado em 2012. Zarattini nega as acusações.
De acordo com os aplicativos como o Uber e o Cabify, caso o projeto de lei de Zarattini passe no Congresso, quase 500 mil pessoas podem perder seu emprego.
No site, “juntos pela mobilidade” os aplicativos informam: “Eles podem decidir, sem qualquer debate e ouvindo apenas uma categoria, como vai ser o futuro da tecnologia aplicada à mobilidade nas cidades. Isso vai aumentar tanto a burocracia para os motoristas de aplicativos que tornará este sistema inviável”. O projeto pode ir à votação no Senado ainda hoje.















