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Bolsonaro é aplaudido e Cunha vaiado em ato pró-impeachment em Copacabana

Presidente da Câmara não participou, mas foi criticado em carro de som

Brasil|Silvia Ribeiro, do R7 Rio

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Orla de Copacabana sediou ato pró-impeachment no Rio
Orla de Copacabana sediou ato pró-impeachment no Rio

O protesto pró-impeachment no Rio de Janeiro repetiu o roteiro de outras manifestações contra o governo federal. Carros de som tocando o Hino Nacional e discursos de tom agressivo em que a presidente Dilma Rousseff e o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva foram o alvo.

Neste domingo (13), em Copacabana, não foi diferente. Manifestantes com bandeiras do Brasil, camisetas verde-amarelas — muitas com o logo da CBF (Confederação Brasileira de Futebol) —, cartazes contra Dilma e com os chamados bonecos Pixuleco se concentraram no posto 5 da praia de Copacabana, por volta das 13h. Um bandeirão com a inscrição impeachment foi estendido na faixa sentido Leme da avenida Atlântica.


Ao ser citado durante o ato — que contou com três carros de som — o presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), foi vaiado pela multidão. O mesmo aconteceu quando foram ditos no mesmo carro de som os nomes da deputada federal Jandira Feghali (PCdoB-RJ), do apresentador Jô Soares, do cantor e compositor Chico Buarque e do ex-presidente Lula.

Por outro lado, os mesmos manifestantes aplaudiram um dos políticos que estava presente no evento, o deputado federal Jair Bolsonaro (PP-RJ). Entre uma selfie e outra e cumprimentos, ele caminhou pelo meio do público vestindo uma camiseta branca com a frase “Direita Já”. Ao chamar Bolsonaro para discursar em carro de som, o humorista Marcelo Madureira disse que não concorda com as ideias do deputado, mas que a democracia permite o livre debate de ideias. Entretanto, apesar de ser chamado de "mito" por manifestantes em coro, Bolsonaro não se apresentou.


Já Marcelo Madureira, como fizera em outra manifestação, voltou a atacar o PT.

— Onde tem um tostão de dinheiro público tem a mão de rapina do PT. [...] O Brasil se encontra em uma encruzilhada. A gente quer saber se queremos viver no País do juiz Sérgio Moro ou do Lula.


FOTOS: Brasil tem manifestações para impeachment nas principais cidades do País

O deputado federal Índio da Costa (PSD-RJ) também usou o microfone para defender o afastamento da presidente. Ele argumentou que o impeachment “é um instrumento democrático”. Em seguida, o parlamentar disse ao R7 que o vice-presidente Michel Temer (PMDB) “vai unificar a política”.


Mas nem todos que estavam lá concordavam com a saída de Dilma. É o caso do vendedor ambulante Natanael Alves dos Santos, de 25 anos, morador da comunidade Pavão Pavãozinho. Ele votou em Lula e Dilma duas vezes. Ao ouvir os discursos diante de sua barraquinha de óculos de sol, ele balançava negativamente a cabeça, em sinal de discordância.

— Acho isso [protesto] uma besteira. Me fala um político que vai chegar no poder e fazer pelo pobre? Sou contra o impeachment.

Também sobraram críticas para o ex-líder do PMDB na Câmara dos Deputados, Leonardo Picciani (RJ). Uma faixa assinada pelo Movimento Brasil Livre, pendurada no carro de som, dizia: Picciani ou Picciuleco? — em referência ao boneco Pixuleco.

O coordenador do MBL (Movimento Brasil Livre) no Rio, Bernardo Santoro, afirmou que 20 mil pessoas participaram do ato em Copacabana, que se esvazou por volta das 15h. Durante o protesto, a Polícia Militar não havia divulgado o número de público, porém para o major responsável pelo policiamento, a estimativa dos manifestantes estaria inflada. Ele contudo não revelou a estimativa da PM.

Questionado sobre críticas que relacionavam a data de hoje ao AI-5 (Ato Institucional 5), que ampliou a repressão no período da ditadura militar, o representante do MBL afirmou que se trata de "ilação idiota", acrescentando com ironia que neste domingo também se comemora o Dia Mundial do Forró. Bernardo não acredita que o fato de o ponta pé inicial do processo de impeachment ter sido feito por Eduardo Cunha — acusado na Lava-Jato — guarde incorência, porque se trata de uma questão institucional.

Para ele, as "pedaladas fiscais", que estão na base do pedido de impeachment, ferem a democracia, uma vez que desrespeitam a Lei de Responsabilidade Fiscal. 

— Isso pode transformar o Brasil na Grécia.

Pouco depois das 15h, muita gente já deixava o local. Ao final, um pequeno grupo surgiu com faixas contra o socialismo e defendendo "intervenção militar já". Mais cedo, o manifestante Vagner Vascondelos teve o microfone tirado de suas mãos ao defender o que chamou de "intervenção democrática" com o uso das Forças Armadas. Ele também foi retirado do caminhão de som.

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