Bumlai confirma à CPI do BNDES que usará direito de permanecer calado
Comissão convocou o pecuarista para explicar os contratos que sua empresa teve com o banco
Brasil|Da Agência Câmara

O pecuarista José Carlos Bumlai disse, em depoimento à CPI do BNDES nesta terça-feira (1º), que não vai responder a perguntas dos deputados.
— Em respeito a esta Casa, eu me desloquei a Brasília na semana passada para responder o que me fosse perguntado. Porém, tive a prisão decretada antes de vir e minha condição, hoje, é muito diferente da semana passada. Gostaria que os senhores entendessem que tenho de resguardar uma série de respostas que eu poderia dar para usar em minha defesa.
Bumlai está preso em Curitiba, acusado de obter propina por intermediar contratos de empresas junto à Petrobras.
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Segundo o Ministério Público, Bumlai obteve vantagens do banco Schahin em troca de um contrato de fornecimento de navio-sonda para a Petrobras por uma das empresas do grupo.
De acordo com a suspeita, o banco teria perdoado uma dívida de R$ 21 milhões do pecuarista depois da operação.
Lava Jato
Pelo menos dois delatores da Operação Lava Jato reforçaram as suspeitas. Eduardo Musa, ex-gerente geral da área internacional da Petrobras, apontou Bumlai como intermediário do pagamento de propina de 5 milhões de dólares relativos ao contrato do navio-sonda Vitória 10000 pela estatal.
De acordo com ele, os pagamentos foram intermediados por Bumlai e por Fernando Soares, o Baiano, e teriam como destinatário ainda o ex-diretor da área Internacional da Petrobras Nestor Cerveró.
Eduardo Musa afirmou ainda que o contrato com o grupo Schahin serviu para que o banco considerasse quitada uma dívida de R$ 60 milhões, relativa à campanha eleitoral de 2006 do PT. Outro delator, o empresário Salim Schahin declarou que o banco do grupo emprestou R$ 12 milhões a Bumlai a pedido do então chefe da Casa Civil José Dirceu, em 2004. Segundo Salim, o destinatário final do empréstimo era o PT.
Oficialmente, o empréstimo foi quitado em 2009, comentou Bumlai, antes de ser preso, na semana passada, por meio de nota. Ele afirmou ter quitado a dívida usando sêmen de gado. Mas Schahin garantiu que o empréstimo nunca foi quitado.
Depoimento à PF
Em depoimento prestado ontem (30) à Polícia Federal, o empresário José Carlos Bumlai, preso semana passada na 21ª fase da Operação Lava Jato, disse que valores repassados a ele pelo investigado Fernando Soares, conhecido como Fernando Baiano, eram de um empréstimo contraído como o lobista para pagar funcionários de suas empresas. Bumlai também negou que os valores oriundos de um empréstimo do Banco Schahin tenham sido repassados ao PT.
Com base em depoimentos de delação premiada, a acusação entendeu que o empréstimo inicial de R$ 12 milhões se destinava ao PT e foi pago mediante a contratação da Schahin como operadora do navio-sonda Vitória 10.000, da Petrobras, em 2009.
No depoimento, Bumlai declarou que o empréstimo, contraído em 2004, era para comprar uma fazenda e não se destinava ao PT. Ele informou aos investigadores que deu um imóvel como garantia ao banco. O empresário não soube explicar porque o empréstimo foi quitado um dia antes da assinatura do contrato entre a Petrobras e a Schahin para operação do navio-sonda.
O empresário disse ainda que nunca discutiu assuntos relacionados com a Operação Lava Jato com o ex-presidente Lula.
Durante o depoimento Bumlai afirmou “que é amigo do ex-presidente, assim como de tantos outros; que ele nunca viajou em sua aeronave, nunca mais esteve em quaisquer de suas fazendas e tampouco esteve em algum de seus apartamentos no Rio de Janeiro”.















