Cardozo diz que irá “com prazer” ao Congresso prestar esclarecimentos sobre Lava Jato
Oposição quer convidar ministro da Justiça para depor na nova CPI da Petrobras
Brasil|Carolina Martins, do R7, em Brasília

Após negar as denúncias de que teria oferecido privilégios políticos a réus da Operação Lava Jato, o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, avisou, nesta quinta-feira (19) que não tem nada a esconder e irá “com prazer” ao Congresso Nacional se for convocado para depor na nova CPI da Petrobras.
Cardozo confirmou que se reuniu com advogados da construtora Odebrecht, empresa investigada no processo que apura o esquema de corrupção da Petrobras, garantiu que não foi negociada nenhuma ajuda do governo, e que os parlamentares nem precisam aprovar convocação para ouvi-lo. Basta convidá-lo que ele comparecerá.
— Irei com grande prazer. Não precisa me convocar, porque eu vou convidado. É direito dos parlamentares saberem dos atos dos membros do Executivo.
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Cardozo garantiu que tudo o que foi discutido com os advogados da empreiteira está registrado em ata. No entanto, informou que o documento ainda não pode ser divulgado, porque a investigação estão sob sigilo de justiça.
Segundo o ministro da Justiça, ele é o maior interessado em acabar com as especulações e diz não entender porque alguns advogados estão “inventando” que receberam oferta de ajuda do governo.
— Em nenhum momento nessa reunião tocou-se na possibilidade do governo ajudar na libertação de presos, nem avaliação judicial minha do que poderia acontecer no futuro. Em nenhum momento isso está registrado em ata. [...] Se alguém quer inventar que teve, deve ter alguma razão para isso.
Críticas
O ministro foi bastante criticado por parlamentares da oposição por receber advogados que representam réus da operação Lava Jato. Até o ex-presidente do STF (Supremo Tribunal Federal) Joaquim Barbosa se manifestou em uma rede social sugerindo a demissão de Cardozo.
Sobre as declarações de Barbosa, o ministro da Justiça não quis se posicionar. Para evitar mais polêmica, ele apenas afirmou que o ex-ministro tem o direito de se manifestar.
— Não vou comentar. O ministro Barbosa tem total direito de falar aquilo que ele acha. É uma opinião dele. Eu respeito. Mesmo que fosse uma atuação política, ele tem esse direito.















